Eduardo Paes (PSD) reconheceu que esperava um resultado melhor na eleição para o governo do Rio de Janeiro. Favorito nas pesquisas desde o início da campanha, o ex-prefeito terminou o primeiro turno em segundo lugar, atrás de Douglas Ruas (PL), candidato bolsonarista que avançou na reta final. Paes afirmou que buscará uma virada e sinalizou que pretende intensificar as críticas ao adversário.
A realização do segundo turno, previsto para 25 de outubro, ainda depende de uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre a candidatura de Anthony Garotinho (Republicanos), que concorreu sub judice. Caso os votos de Garotinho sejam anulados, Ruas poderá ser declarado vencedor já no primeiro turno. Não há data para o tribunal decidir.
Em pronunciamento breve, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, Paes disse que a disputa deve tratar dos interesses do estado. “Não será o Flávio Bolsonaro e não será o Lula que vão governar o estado”, declarou. Também anunciou que pretende apontar fragilidades do grupo adversário e fez críticas a Ruas: “Nós estamos falando de um jovem político que ficou milionário fazendo política”.
O ex-prefeito estava acompanhado da mulher, Cristiane; da vice, Jane Reis (MDB); do irmão dela, Washington Reis, cacique emedebista; de Pedro Paulo (PSD), candidato derrotado ao Senado; e do prefeito da capital, Eduardo Cavaliere (PSD), seu sucessor. Paes acompanhou a apuração em casa e, ao chegar ao QG da campanha, reuniu-se com aliados em uma sala fechada antes de discursar. Depois do pronunciamento, não respondeu a perguntas de jornalistas.
A estratégia anunciada por Paes é evitar que a campanha fique concentrada na polarização nacional. O ex-prefeito tenta se afastar do embate com o bolsonarismo, enquanto a nacionalização da disputa é apontada como uma das estratégias de Ruas para avançar. Flávio Bolsonaro (PL) obteve no estado vantagem de 1,2 milhão de votos, repetindo o desempenho de Jair Bolsonaro em 2018 e 2022.
A disputa estadual ocorre ao mesmo tempo que a eleição presidencial, o que, segundo o cenário descrito na campanha, pode dificultar a estratégia de Paes. No dia da votação, ele pediu voto útil a eleitores da direita e da esquerda e disse acreditar que poderia vencer no primeiro turno. O resultado ficou abaixo do esperado. A derrota também representa um revés para a campanha de Lula, que desejava uma vitória de Paes na primeira rodada. O ex-prefeito tende a manter distância do presidente, diante da rejeição de Lula no território fluminense.

