Os perfumes esquecidos dos anos 80 e 90 voltaram porque a nostalgia também tem cheiro

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Fragrâncias que fizeram sucesso nas décadas de 1980 e 1990 voltaram a ganhar espaço nas lojas e nas redes sociais nos últimos anos. O movimento é impulsionado pela busca por produtos clássicos e pela força da nostalgia entre diferentes gerações de consumidores.

A tendência não se restringe a quem usou esses perfumes no passado. Jovens que não conheceram os lançamentos originais também passaram a procurar essas fragrâncias, influenciados por vídeos de especialistas em perfumaria e criadores de conteúdo que revisitam produtos considerados históricos.

Para as marcas, manter ou relançar esses perfumes virou uma forma de atender públicos diferentes ao mesmo tempo.

De um lado estão consumidores que desejam reviver memórias; de outro, pessoas interessadas em conhecer aromas que ajudaram a moldar a perfumaria moderna.

Fragrâncias clássicas seguem relevantes décadas após o lançamento

Entre os perfumes que voltaram a despertar interesse estão Poison, da Dior, Paris, da Yves Saint Laurent, e Ysatis, da Givenchy. A lista inclui ainda Trésor, da Lancôme, Eternity, da Calvin Klein, e Acqua di Giò, da Giorgio Armani. Completam o grupo Classique, de Jean Paul Gaultier, Cabotine, da Grès, Roma, da Laura Biagiotti, e Gucci Rush, da Gucci.

Embora pertençam a épocas diferentes, esses perfumes compartilham características hoje valorizadas pelo mercado.

As composições costumam apresentar notas mais intensas, alta concentração de essências e fixação prolongada. O perfil contrasta com parte das fragrâncias recentes, que priorizam aromas mais leves e discretos.

Essa mudança de percepção acompanha um momento em que consumidores demonstram interesse crescente por produtos considerados atemporais.

Nostalgia impulsiona mercado, mas não explica tudo

O retorno dessas fragrâncias integra um fenômeno observado em diferentes segmentos da moda e da beleza, nos quais peças, acessórios e cosméticos de décadas passadas voltam a despertar interesse.

O perfume, porém, ocupa um lugar particular nesse movimento por estar diretamente ligado à memória afetiva.

Especialistas apontam que os cheiros têm capacidade de despertar lembranças de forma mais intensa do que outros estímulos sensoriais. Esse mecanismo ajuda a explicar por que fragrâncias associadas à infância, à juventude ou a momentos marcantes da vida continuam despertando interesse décadas após chegarem ao mercado.

O crescimento das comunidades dedicadas à perfumaria nas redes sociais também ampliou o alcance desses clássicos. Avaliações, comparações e listas de recomendações fizeram com que perfumes lançados há mais de 30 anos voltassem ao radar de consumidores que sequer eram nascidos quando eles chegaram às prateleiras.

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