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O sono feito fora da janela de melatonina — entre 22h e 2h — repara menos o organismo, mesmo que dure as mesmas oito horas que o sono no horário certo

Muita gente acredita que dormir oito horas por noite é suficiente para garantir um descanso de qualidade. Mas médicos e pesquisadores que estudam o sono afirmam que o horário em que essas horas são dormidas também pode influenciar a forma como o organismo se recupera.

Pessoa dormindo em quarto escuro com um despertador digital ao fundo marcando 3:00 AM, ilustrando o sono fora da janela ideal de melatonina.
Dormir fora do intervalo entre 22h e 2h prejudica a regeneração do organismo, mesmo completando as 8 horas de sono recomendadas.

Muita gente acredita que dormir oito horas por noite é suficiente para garantir um descanso de qualidade. Mas médicos e pesquisadores que estudam o sono afirmam que o horário em que essas horas são dormidas também pode influenciar a forma como o organismo se recupera.

É por isso que duas pessoas que dormem exatamente o mesmo tempo podem acordar com sensações completamente diferentes de disposição. Enquanto uma se sente descansada, a outra pode continuar cansada, mesmo tendo cumprido a recomendação de sono para adultos.

A explicação está no funcionamento do relógio biológico do corpo, conhecido como ritmo circadiano.

O corpo não mede apenas quantas horas você dorme

O ritmo circadiano é um sistema interno que sincroniza diversas funções do organismo com os ciclos naturais de luz e escuridão.

Ele influencia a temperatura corporal, a produção de hormônios, o metabolismo e o próprio ciclo do sono.

Ao anoitecer, a produção de melatonina aumenta gradualmente, sinalizando ao cérebro que é hora de iniciar o processo de descanso. Nas primeiras horas da manhã, essa produção diminui, preparando o organismo para despertar.

Segundo a neurologista espanhola Celia García Malo, codiretora da Clínica CISNe, dormir em horários alinhados a esse mecanismo favorece uma organização mais eficiente das fases do sono.

Por que o horário pode fazer diferença

Estudos da área de cronobiologia indicam que o organismo não realiza todos os processos de recuperação da mesma forma ao longo da noite.

As fases mais profundas do sono, fundamentais para a recuperação física, consolidação da memória e regulação hormonal, costumam ocorrer com maior intensidade nos primeiros ciclos após o adormecimento.

Quando o horário de dormir se afasta muito do período em que o corpo naturalmente espera iniciar o sono, essa organização pode ser prejudicada.

Isso não significa que alguém que dorme da 1h às 9h terá necessariamente um sono ruim. Porém, para muitas pessoas, principalmente aquelas com perfil mais matutino, esse padrão tende a gerar menor alinhamento com o relógio biológico.

O que a ciência sabe sobre a melatonina

A melatonina é frequentemente chamada de “hormônio do sono”, mas sua principal função é informar ao organismo que a noite chegou.

Sua produção aumenta gradualmente com a redução da luz ambiente e é fortemente influenciada pela exposição à iluminação artificial.

Por isso, o uso de celulares, tablets, computadores e televisores durante a noite pode atrasar a liberação natural desse hormônio.

Estudos sobre sono e ritmo circadiano mostram que a exposição intensa à luz artificial nas horas que antecedem o descanso pode dificultar o adormecimento e comprometer a qualidade do sono.

Nem todo mundo tem o mesmo relógio biológico

Um ponto importante é que não existe um horário universal que funcione para todas as pessoas.

Os chamados cronotipos ajudam a explicar por que algumas pessoas apresentam maior disposição pela manhã, enquanto outras rendem melhor durante a noite.

Indivíduos com perfil mais noturno costumam apresentar uma tendência natural a dormir e acordar mais tarde. Já aqueles com perfil matutino geralmente sentem sono mais cedo e despertam com mais facilidade nas primeiras horas do dia.

Segundo Celia García Malo, os problemas costumam surgir quando obrigações profissionais, escolares ou hábitos cotidianos forçam alguém a dormir de forma constante fora da sua janela biológica natural.

Hábitos que podem prejudicar o descanso

Além do horário de dormir, alguns comportamentos estão associados a uma pior qualidade do sono.

O uso excessivo de telas à noite, o consumo de cafeína próximo ao horário de dormir, refeições pesadas no fim do dia e horários irregulares de sono podem dificultar o adormecimento e aumentar a fragmentação do descanso.

Esses fatores acabam interferindo na capacidade do organismo de completar adequadamente os ciclos naturais do sono.

Como melhorar a qualidade do sono

Celia García Malo recomenda manter horários relativamente estáveis para dormir e acordar, inclusive nos fins de semana, sempre que possível.

Também é aconselhável reduzir a exposição às telas antes de dormir, manter o quarto escuro e silencioso e respeitar os sinais naturais de sonolência do organismo.

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