Durante o verão, praias do sul do Estado costumam registrar a presença de animais marinhos na faixa de areia. Lobos-marinhos, leões-marinhos, elefantes-marinhos e tartarugas marinhas aparecem com mais frequência nesse período, chamando a atenção de banhistas e moradores.
Apesar de a cena causar estranhamento, na maioria das vezes esses animais não estão em situação de risco. As praias fazem parte do ciclo natural de várias espécies, servindo como áreas de descanso durante migrações, deslocamentos longos ou fases específicas, como a troca de pelagem.
A região entre Mostardas e o Arroio Chuí reúne condições favoráveis para essas paradas: extensos trechos de areia, menor interferência urbana em alguns pontos, clima mais ameno e boa oferta de alimento. Por isso, é comum que os animais utilizem essas áreas para repouso antes de retomar suas rotas no oceano.
No caso das tartarugas marinhas, no entanto, a presença na praia pode indicar problemas. Encalhes costumam estar associados à ação das correntes marítimas, à ingestão de lixo ou ao emaranhamento em redes de pesca. Situações como essas exigem atenção especial.
Animais debilitados funcionam como sinais do estado do ambiente costeiro. A partir desses registros, pesquisadores conseguem identificar impactos ambientais, mapear ameaças e orientar ações de conservação da fauna marinha.
Como agir?
Ao encontrar um animal marinho na praia, a recomendação é não se aproximar nem tentar qualquer tipo de contato. A presença humana pode provocar estresse, alterar o comportamento e comprometer a recuperação de animais que estão apenas descansando ou já se encontram enfraquecidos.
O ideal é manter distância e observar à distância, sem interferir. Qualquer avaliação sobre o estado de saúde ou a necessidade de resgate deve ser realizada por equipes especializadas. A população deve comunicar o ocorrido aos órgãos ambientais ou instituições responsáveis pelo monitoramento da fauna marinha.
Respeitar o espaço desses animais é fundamental para garantir que eles consigam cumprir seu ciclo natural ou receber atendimento adequado quando necessário.
Cuidado e reabilitação
No Rio Grande do Sul, o Centro de Recuperação de Animais Marinhos da Universidade Federal do Rio Grande (CRAM-Furg) atua há mais de cinco décadas no resgate, tratamento e reabilitação de espécies marinhas encontradas debilitadas no litoral.
O centro dispõe de estruturas específicas para o atendimento dos animais, como áreas de limpeza em casos de contaminação por óleo, tanques de reabilitação, laboratório de análises clínicas, além de sistemas de filtragem e aquecimento da água. Veículos e embarcações também são utilizados no monitoramento e nos resgates ao longo da costa.