# O dilema da alta renda no Brasil: 95% reconhecem privilégio e 14% se consideram ricos

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- Published: 2026-08-18T02:18:52-03:00
- Author: Felip trends

Os achados são do estudo “O que desejam os privilegiados: a alta [renda](https://nordeste7.com.br/177-mil-familias-precisarao-devolver-o-auxilio-emergencial-recebido/)
brasileira, por ela mesma”, realizado pelo Google [Brasil](https://nordeste7.com.br/paraty-e-o-unico-vilarejo-do-brasil-onde-os-carros-nao-entram-as-ruas-se-inundam-na-mare-alta-e-isso-se-tornou-parte-da-beleza-que-atraiu-o-reconhecimento-da-unesco/),
que ouviu 792 pessoas em todas as regiões do país. A amostra incluiu famílias com
renda mensal a partir de R$ 15 mil, alcançando faixas superiores a R$ 50 mil mensais–
grupo que representa, no total, cerca de 8% da população brasileira, considerando
o critério de renda adotado na pesquisa, segundo o Google. Os entrevistados responderam
a perguntas sobre consumo, investimentos, saúde, família, comportamento digital 
e perspectivas para o futuro.

A pesquisa mostrou que os entrevistados associam o [privilégio](https://nordeste7.com.br/presidente-acaba-com-privilegio-de-ministros-e-retira-carros-oficiais-e-motoristas-particulares-neste-pais/)
ao acesso a bens e serviços que permanecem fora do alcance da maior parte da população,
como educação privada, planos de saúde e hospitais de qualidade. Já a riqueza aparece
ligada à acumulação de patrimônio capaz de proporcionar independência financeira
e autonomia para tomar decisões sem depender da renda do trabalho.

Para os entrevistados, “ser rico” significa poder escolher trabalhar apenas com 
aquilo de que se gosta, mudar de profissão ou até parar de trabalhar sem comprometer
o padrão de vida da família.

Nesse sentido, foi relevada uma meta a ser atingida para ter tranquilidade no futuro,
isto é, um valor de investimento no banco considerando suficiente para justificar
parar de trabalhar ou trabalhar apenas com o que gosta: **R$ 17 milhões, na média**—
37% dos entrevistados almejam ter até R$ 5 milhões; 18% entre R$ 6 milhões e R$ 
9 milhões; 21% entre R$ 10 milhões e R$ 29 milhões; e 22% acima de R$ 30 milhões.

“São pessoas que ainda estão construindo e sentem que ainda não chegaram lá”, afirmou
Renata Blay, líder de Insights Estratégicos para a Indústria de Finanças no Google
Brasil.

A busca por essa independência financeira ajuda a explicar outro comportamento identificado
pela pesquisa. Cerca de 72% afirmam guardar dinheiro para atingir a reserva considerada
ideal para o futuro e 91% dizem desejar mais tempo livre e autonomia sobre a própria
rotina. “Essas pessoas de alta renda estão dizendo para a gente que têm dificuldade
de ter tempo para fazer o que gostam”, completa Blay.

**Leia mais: Onde estão os Everyday Millionaires brasileiros?**

## Família no centro dos planos – e dos medos

Se a liberdade financeira é o objetivo, a família é um dos principais motivos para
persegui-lo. Segundo a pesquisa, 80% dos entrevistados são casados ou vivem em relacionamento
e a maioria vive em lares com dois dependentes. Além disso, 84% têm filhos.

O estudo aponta ainda que 70% afirmam que seus sonhos são também os sonhos da família.
Quando questionados sobre seus principais desejos, muitos relacionam o sucesso financeiro
à capacidade de oferecer oportunidades às próximas gerações. Um dos exemplos mais
claros é a educação internacional. Segundo o levantamento, enviar os filhos para
estudar no exterior aparece simultaneamente como um dos principais sonhos dos entrevistados
e como um símbolo de riqueza.

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A importância atribuída à família também aparece quando o assunto é medo. O principal
receio declarado pelos entrevistados não está relacionado à perda de investimentos
ou ao desempenho dos mercados, mas à possibilidade de não conseguir proporcionar
aos filhos as condições de vida desejadas, especialmente em termos de educação e
saúde.

## Saúde vira indicador de sucesso

Dos entrevistados, 84% afirmam que saúde é algo que desejam muito ou desejam bastante.
Mais do que viver mais, a preocupação está ligada à ideia de preservar a qualidade
de vida ao longo do tempo.

Segundo Blay, a saúde passou a ser vista quase como uma forma de controle. Nesse
contexto, ganham espaço comportamentos ligados à longevidade, como monitoramento
de biomarcadores, dispositivos vestíveis, testes genéticos e serviços personalizados
de acompanhamento médico.

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A pesquisa também identificou diferenças entre homens e mulheres: elas demonstram
maior preocupação com reserva financeira, tempo livre, saúde e bem-estar do que 
os entrevistados do sexo masculino.

**Leia mais: Milionários ao mar: JHSF lança frota de iates em hotel de luxo Fasano
na Itália**

## Dinheiro ainda gera insegurança

Apesar do elevado poder aquisitivo, o levantamento mostra que o universo financeiro
continua sendo um desafio para boa parte da alta renda: 43% dizem ter dificuldade
para entender investimentos e 52% nunca receberam educação financeira formal durante
a juventude – apesar de 53% afirmem que têmr elevado conhecimento financeiro,

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O resultado ajuda a explicar por que **58% preferem delegar decisões financeiras
a especialistas**. Segundo os pesquisadores, existe até mesmo entre a alta renda
uma espécie de “pedido de ajuda” para compreender melhor o universo dos investimentos.

## Bancos disputam a principalidade desse cliente

Em média, os entrevistados mantêm relacionamento com 8,7 instituições financeiras
diferentes, percentual muito superior ao observado na população em geral. Ao mesmo
tempo, 92% utilizam bancos tradicionais e 89% mantêm contas em bancos digitais.

Segundo Marcel Bozo, head da Indústria de Finanças do Google Brasil, a competição
entre as instituições deixou de ser apenas por abertura de contas e passou a focar
a chamada principalidade, isto é, tornar-se o principal relacionamento financeiro
do cliente. “Hoje a batalha passa a ser exatamente em cima desse público da alta
renda”, afirmou o executivo durante apresentação dos resultados.

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**Leia mais: Na disputa pela alta renda, construtora oferece acesso a rede internacional
de clubes**

## Menos ostentação e mais discrição

Outros dados da pesquisa sugerem movimentos em direção a formas mais discretas de
distinção social, nas quais pertencimento, conhecimento e acesso a círculos selecionados
ganham peso frente aos símbolos tradicionais de ostentação.

Dos entrevistados, 74% afirmam que reduziram a exposição nas redes sociais, enquanto
81% fizeram uma seleção mais criteriosa dos perfis que acompanham. Paralelamente,
91% participam ou já participaram de grupos fechados ou comunidades voltadas a interesses
específicos.

Segundo o Google, a elaboração da pesquisa foi motivada pela crescente relevância
da alta renda para bancos e instituições financeiras. A empresa afirma decidiu aprofundar
o estudo desse segmento há cerca de dois anos, diante da disputa cada vez maior 
das instituições pela chamada “principalidade” dos clientes de maior patrimônio.

O objetivo, segundo Mônica de Carvalho, diretora de negócios do Google Brasil, é
identificar demandas ainda pouco exploradas pelo mercado financeiro e ajudar seus
clientes a desenvolver produtos, serviços e estratégias.

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