# Novo marco? Petrobras avança na Margem Equatorial, mas há caminho longo até 1º óleo

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- Published: 2026-08-17T11:18:58-03:00
- Author: Felip trends

A [Petrobras](https://nordeste7.com.br/governo-pode-vender-a-caixa-petrobras-e-banco-do-brasil-em-2027-veja-o-que-esta-em-discussao/)(
PETR4; PETR3) anunciou na última sexta-feira (14) a identificação de hidrocarbonetos
em um poço exploratório atualmente em perfuração no bloco FZA-M-59, localizado no
Amapá, na Bacia da Foz do Amazonas, na Margem Equatorial brasileira.

O Bradesco BBI avalia que o anúncio é relevante por abrir uma nova fronteira potencial
de exploração no Brasil, que poderia complementar o pré-sal e ajudar a mitigar uma
eventual queda da produção nacional de petróleo após 2035.

No entanto, os analistas Vicente Falanga e Ricardo França, do BBI, destacam que 
o intervalo entre encontrar hidrocarbonetos e comprovar um campo economicamente 
viável é [longo](https://nordeste7.com.br/caminhar-uma-hora-por-dia-pode-parecer-pouco-mas-a-soma-ao-longo-do-ano-chega-a-uma-queima-calorica-que-surpreende-muita-gente/),
especialmente em uma fronteira exploratória de alta complexidade, custo elevado 
e incerteza geológica relevante.

Segundo o relatório, os próximos anos devem ser dedicados à conclusão do poço atual,
análises laboratoriais, interpretação petrofísica, licenciamento ambiental, perfuração
de avaliação, testes de formação e delimitação dos recursos.

“Em um cenário positivo, a declaração de comercialidade poderia ocorrer apenas entre
2029 e 2031, seguida pela elaboração do plano de desenvolvimento, engenharia, decisão
final de investimento, contratação de FPSO, sistemas submarinos e poços de produção”,
comenta o BBI. “Assim, o primeiro óleo provavelmente seria um evento entre 2032 
e 2036.”

Já a XP Investimentos, em relatório assinado pelos analistas Regis Cardoso e Enzo
Sozzi, ressalta que a descoberta faz parte dos esforços da Petrobras para sustentar
a produção de longo prazo.

A dupla ainda destaca que o plano de negócios da companhia prevê US$ 2,5 bilhões,
cerca de R$ 13 bilhões no câmbio atual, de investimentos (capex) para a Margem Equatorial,
com planos de perfurar 15 poços exploratórios na região.

Na visão do Itaú BBA, a identificação de hidrocarbonetos em Margem Equatorial representa
um passo importante, mas inicial, na tentativa de confirmar uma nova fronteira de
produção de petróleo no Brasil, o que pode ajudar a Petrobras a aumentar suas reservas.

“Ainda assim, esta é apenas uma fase inicial do processo. Serão necessárias novas
atividades de avaliação para determinar o tamanho da descoberta, as características
do reservatório e se a área poderá ser explorada comercialmente. Como referência,
no campo de Búzios foram necessários cerca de três anos entre a descoberta inicial
e a declaração de comercialidade, além de mais cinco anos até o início da produção
na plataforma Búzios-1 (P-74)”, aponta.

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Além disso, o conhecimento sobre o potencial geológico da região ainda é limitado,
o que impede uma avaliação mais precisa sobre a relevância da descoberta para a 
tese de investimento de longo prazo da Petrobras.

A Margem Equatorial é uma região marítima localizada ao longo das costas Norte e
Nordeste do Brasil e reúne quatro bacias sedimentares: Foz do Amazonas, Pará-Maranhão,
Barreirinhas e Potiguar. Descobertas bem-sucedidas em áreas geologicamente semelhantes,
especialmente na costa da Guiana e do Suriname, aumentaram o interesse exploratório
na região.

Segundo estimativas da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a Bacia da Foz do Amazonas
pode conter aproximadamente 5,7 bilhões de barris de petróleo recuperáveis.

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“Caso esse potencial seja confirmado, as reservas provadas do Brasil poderiam aumentar
em 33%, enquanto as reservas da Petrobras poderiam crescer 55%. Em um exercício 
ilustrativo, se a Petrobras adicionasse cerca de 6 bilhões de barris equivalentes
de óleo às suas reservas, o múltiplo valor da empresa em relação às reservas de 
petróleo (EV/Reserva) cairia de US$ 12,7 por barril equivalente para US$ 8,5 por
barril equivalente, abaixo dos níveis observados em empresas globais do setor”, 
finaliza o BBA.

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