# Motel de R$ 3 mil a diária: o Lush quer matar o estigma e virar “resort urbano”

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- Published: 2026-08-29T06:18:47-03:00
- Author: Felip trends

Um antigo [motel](https://nordeste7.com.br/jovem-de-20-anos-morre-apos-procedimento-abortivo-ilegal-em-motel/)
de gestão familiar no bairro do Ipiranga, Zona Sul de São Paulo, se tornou o embrião
de uma ideia ambiciosa: afastar o estigma do mercado imobiliário para atrair investimentos
e disputar um espaço maior no tempo que casais têm reservado para entretenimento
e lazer.

Daí nasceu o Lush, um motel de luxo com diárias que podem ultrapassar os R$ 3 mil
e cujas métricas de receita por quarto, afirmam seus diretores, superam a média 
do setor hoteleiro tradicional.

O negócio é apenas um braço da LHG, uma empresa de gestão de motéis que nasceu do
próprio Lush. Hoje, a companhia opera motéis próprios, administra empreendimentos
de terceiros e presta consultoria a redes dos Estados Unidos e do Equador.

“No começo, nós chamávamos o Lush de ‘Urban Private Resort’. Era um slogan para 
mostrar esse conceito de tudo que um resort oferece em termos de entretenimento 
e lazer, mas no formato privativo dentro de uma cidade”, conta o diretor da LHG,
Felipe Martinez.

Martinez e Leonardo Dib, também diretor da LHG, assumiram a gestão de um antigo 
motel do qual seus pais eram sócios em 2010. Fundado em 1990, o _Concavo e Convexo_
seguia todo o estilo que se pode imaginar de um motel tradicional. A ideia dos atuais
gestores foi uma renovação geral.

O retrofit promovido pela nova gestão queria abandonar os clichês do motel à brasileira:
todo o tema erótico daria lugar a uma arquitetura que desperta desejo a partir de
um “design lúdico”.

Fachada do motel Lush no Ipiranga, em São Paulo. (Foto: Divulgação/LHG)

Um exemplo: o quarto mais caro da primeira unidade do Lush conta com piscina aquecida,
sauna a vapor, cascatas, hidromassagem com cromoterapia e área externa com teto 
solar. Sem fotos sensuais penduradas nas paredes.

## O modelo da Lush

“Nós percebemos que o motel se tratava muito menos de privacidade, aquele conceito
de períodos curtos do passado. Na verdade, o cliente queria um período mais longo,
então começamos a oferecer esse tipo de produto com diferentes opções de horário”,
afirma Martinez.

Hóspedes podem escolher opções de reserva como dayuse, das 13h às 19h, o pernoite,
das 20h às 12h e a [diária](https://nordeste7.com.br/existe-uma-quantidade-diaria-de-proteina-que-quando-ultrapassada-cronicamente-comeca-a-causar-dano-renal-mesmo-em-pessoas-jovens-e-sem-historico-de-doenca/),
com check-in para as 15h de um dia e saída às 12h do próximo.

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Períodos de uso mais longos privilegiam a visão da empresa de que o consumidor quer
uma experiência de entretenimento e lazer que vai desde o quarto até o cardápio 
gastronômico assinado por um chef e cartas de vinho para ocasiões especiais. De 
acordo com dados da Associação Brasileira de Motéis, 85% dos frequentadores dos 
espaços já estão em relacionamentos estáveis.

Parte da estrutura para atrair esse consumidor passa pelas reservas, uma prática
incomum no setor até poucos anos atrás. A LHG desenvolveu uma plataforma de e-commerce
que hoje também é oferecida como parte dos seus projetos em gestão terceirizada 
e consultoria.

O sucesso da primeira unidade do Lush abriu o horizonte para a LHG em 2017. “Nós
começamos a perceber uma carência de profissionalismo no mercado. Na hotelaria já
existem empresas que fazem administração para investidores, mas isso não existia
na motelaria”, explica Martinez.

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## Expansão do grupo

Até aqui, a LHG abriu mais uma unidade do Lush no bairro da Lapa, em São Paulo, 
e o Andar de Cima, um híbrido de hotel e motel no prédio da Love Cabaret, casa de
show para adultos no centro da cidade. Todos nascidos de investimento próprio.

Mas os investimentos para construir um motel pesam. Com o custo de capital pressionando
as possibilidades de expansão, a alternativa foi encontrar um modelo “asset light”,
isso é, um negócio sem grandes aportes em ativos físicos.

Foi quando a LHG iniciou seu braço de administração que hoje opera motéis em Brasília
e Campinas. O modelo de remuneração nesses casos é baseado, normalmente, em uma 
participação dos lucros. De outro lado, a empresa oferece serviços de consultoria
que atende uma rede em Quito, no Equador, e outra espalha pelos estados da Flórida
e do Texas, nos Estados Unidos.

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Fachada do motel Lush na Lapa, em São Paulo. (Foto: Divulgação/LHG)

“A LHG é como se fosse o software que está gerindo um hardware. O hardware é o ativo
imobiliário. O prédio. Entramo justamente com sistemas, marcas e expertise”, aponta
Leonardo Dib. “Somos uma plataforma de investimento que pode ser proprietária do
ativo ou administradora dele.”

Em 2025, o faturamento da LHG bateu R$ 54 milhões. A projeção para 2026 é de atingir
os R$ 68 milhões, em um ritmo de crescimento de aproximadamente 20% ao ano para 
os próximos ciclos. A margem EBITDA da empresa nas unidades em que o negócio já 
está maduro fica na casa de 35%.

Os resultados estão apoiados em um privilégio do setor moteleiro. Diferentemente
dos hotéis tradicionais, em que a diária ocupa o período de quase 24h, nos motéis
a rotatividade de um quarto por dia é maior, gerando uma taxa de ocupação na casa
de 150% a 160%.

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Essa dinâmica impacta diretamente o RevPAR, importante indicador do segmento que
calcula a receita gerada por quartos disponíveis. A matemática permite que motéis
se tornem viáveis com um número de quartos expressivamente inferior aos hotéis tradicionais.

Funciona assim: se um quarto de hotel tradicional opera com diária média de R$ 400
e a ocupação é de 70%, seu RevPAR fica em R$ 280. Já em um motel, um ticket médio
de R$ 300 para uma ocupação de 150% gera um RevPAR de R$ 450. No caso dos motéis
da marca Lush, o ticket médio fica na casa de R$ 700.

Agora a intenção da companhia é expandir. A Lush negocia alternativas com investidores
ou fundos imobiliários para sustentar novos projetos. “Em termos de ticket, estamos
falando de R$ 100 milhões para um pipeline de 7 a 10 unidades nos três anos seguintes
ao investimento”.

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