A zagueira Mônica Hickmann, de 39 anos, quer ajudar o Madrid CFF a disputar as primeiras posições da Liga F e sonha levar o clube à Champions. Desde 2019 na equipe espanhola, ela também começa a planejar os próximos passos no futebol, com experiências como treinadora, scouting e coordenação e a preparação de um projeto próprio ligado à modalidade.
Em entrevista, a brasileira revisitou uma trajetória que começou nas ruas de Gravataí, no Rio Grande do Sul, onde jogava com meninos. Um vizinho, Maurício, ensinou os primeiros fundamentos. Mônica conta que enfrentou preconceito, mas não tinha medo de jogar e queria estar com os amigos.
O caminho até um clube surgiu por meio de Michele e Kelly, amigas que atuavam no Internacional. Depois de um teste, Mônica entrou na escolinha do time. A rotina incluía cerca de duas horas de ônibus em cada trecho, além dos custos e da conciliação com os estudos. Quando a família enfrentava dificuldades para manter as despesas, ela foi escolhida para subir ao Sub-17.
Entre 2004 e 2006, jogou no Marília. Aos 17 anos, deixou o Rio Grande do Sul sem salário ou ajuda de custo; o acordo previa moradia e estudos. No clube, também mudou de posição: antes atacante e meio-campista, assumiu a zaga quando o time perdeu duas defensoras. “Eu falei: ‘Eu jogo’. E aí foi. Não teve mais volta”, contou.
Mônica chegou à Seleção Brasileira e disputou três Copas do Mundo. Também tentou cursar enfermagem, mas trancou a faculdade após dificuldades para conciliar as convocações com provas e trabalhos. Em 2007, mudou-se para a Áustria para jogar no SV Neulengbach. Ao longo da carreira, passou ainda por equipes no Brasil, nos Estados Unidos, na Austrália e na Espanha.
A defensora não definiu onde pretende encerrar a carreira e admite a possibilidade de voltar ao Brasil. “Se for no Brasil, vou ser muito feliz. Se o final da minha carreira for aqui, também acredito que vai ser muito especial”, afirmou. Ela diz que pretende seguir ligada ao futebol e contribuir com a formação e a evolução da modalidade.
