Minhocas gigantes de até 2 metros vivem na Amazônia e ajudam a manter o solo funcionando como um ecossistema vivo

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Minhocas do gênero Rhinodrilus podem chegar a dois metros de comprimento e passam a maior parte da vida em galerias subterrâneas profundas, onde a umidade constante garante sua sobrevivência.

Esses animais processam toneladas de matéria orgânica por hectare a cada ano e devolvem ao solo um húmus rico em nutrientes que sustenta boa parte da vida na floresta amazônica.

Apesar do tamanho, elas vivem quase invisíveis. Mas o trabalho que fazem embaixo da terra é fundamental para manter o ecossistema funcionando.

Túneis escavados aumentam a infiltração de água e reduzem erosão

Durante a alimentação, as minhocas ingerem terra misturada com folhas, raízes mortas, fungos e outros resíduos orgânicos. Esse material é decomposto no intestino com ajuda de micro-organismos e liberado de volta ao solo na forma de coprólitos, um húmus que melhora a fertilidade da terra e fornece às plantas minerais como nitrogênio, fósforo e potássio.

Além de produzir esse adubo natural, os túneis que elas abrem no subsolo funcionam como canais para a água da chuva.

A infiltração maior reduz o escoamento pela superfície e diminui o risco de erosão. As galerias também aeram o solo, permitindo que raízes e micro-organismos recebam oxigênio suficiente para manter o ambiente biologicamente ativo.

Pesquisadores descrevem esses animais como engenheiros naturais, porque sua simples movimentação modifica a estrutura da terra ao redor.

Desmatamento e compactação do solo ameaçam a sobrevivência da espécie

As minhocas gigantes dependem de solos úmidos e preservados para sobreviver. O desmatamento, as queimadas e a compactação provocada por máquinas e pelo pisoteio do gado comprometem diretamente as condições que elas precisam para viver.

Sem esses animais, o solo perde fertilidade, endurece e reduz sua capacidade de regenerar a vegetação.

Pesquisadores apontam que entender melhor o funcionamento dessas espécies pode contribuir para projetos de recuperação de áreas degradadas e até reduzir a dependência de fertilizantes químicos em regiões que já sofreram impacto. Preservar o habitat das minhocas gigantes, nesse sentido, é também uma forma de garantir que a Amazônia continue produtiva e resiliente.

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