O planejamento reprodutivo no Brasil ganha um reforço de peso. O Ministério da Saúde oficializou a inclusão do Implanon no Sistema Único de Saúde (SUS), expandindo as opções de contracepção gratuita para as mulheres. O método, que na rede privada chega a custar entre R$2 mil e R$4 mil, passa a ser distribuído de forma totalmente gratuita na rede pública, representando um avanço histórico no acesso à saúde reprodutiva.
Embora portarias nacionais recentes organizem a distribuição massiva e a ampliação do público-alvo em todo o país, o implante hormonal já é uma realidade presente no cotidiano de muitas brasileiras. Em diversas cidades e estados pelo Brasil, unidades de saúde já oferecem esse contraceptivo há algum tempo por meio de iniciativas locais e municipais, focando inicialmente em adolescentes e mulheres em situação de vulnerabilidade social.
O que é o Implanon e como ele age no corpo?
O Implanon é um método contraceptivo conhecido como LARCs (anticoncepcionais reversíveis de longa duração). Ele consiste em um pequeno bastão de plástico macio e flexível, com apenas 4 centímetros de comprimento e 2 milímetros de diâmetro — tamanho semelhante ao de um palito de fósforo.
A aplicação é simples e rápida: um profissional de saúde devidamente capacitado insere o bastão logo abaixo da pele (subcutâneo) na parte interna do braço não dominante da mulher, utilizando anestesia local para garantir o conforto do procedimento.
Uma vez inserido, o Implanon funciona da seguinte forma:
- Liberação contínua de hormônio: O bastão libera diariamente no organismo uma dose baixa e controlada de um hormônio chamado etonogestrel (um tipo de progestagênio).
- Bloqueio da ovulação: A principal função desse hormônio é impedir que os ovários liberem óvulos. Sem óvulo, não há fecundação e, consequentemente, não há gravidez.
- Alteração do muco cervical: O hormônio também modifica a textura do muco do colo do útero, tornando-o mais espesso. Isso funciona como uma barreira física que dificulta a entrada e a subida dos espermatozoides.
Três anos de proteção e praticidade
A grande vantagem do implante é a sua alta eficácia e comodidade. Com uma taxa de proteção superior a 99%, ele é considerado um dos métodos mais seguros do mundo, superando inclusive a pílula tradicional e a laqueadura, já que elimina a chance de esquecimento ou erro no uso por parte da paciente.
O efeito dura por até três anos consecutivos. Durante todo esse período, a mulher não precisa se preocupar em tomar comprimidos diariamente, checar calendários ou tomar injeções mensais. Passados os três anos, o implante deve ser retirado por um médico. Se a mulher desejar continuar usando o método, um novo bastão pode ser colocado imediatamente no mesmo lugar. Caso queira engravidar, basta remover o dispositivo: o hormônio deixa o corpo rapidamente e a fertilidade natural retorna em pouco tempo.
Ampliação do acesso e o papel do SUS
Até então, o DIU de cobre era a única opção de contraceptivo de longa duração amplamente ofertada na rede pública de forma geral. Apesar de ser excelente e seguro, o DIU não possui hormônios e pode aumentar o fluxo menstrual e as cólicas de algumas mulheres, além de não ser recomendado para anatomias uterinas específicas. O Implanon surge como uma alternativa prática, moderna e hormonal para quem precisa de um método de longo prazo mas não se adapta ao DIU.
A distribuição nacional foi formalizada para abranger mulheres em idade fértil, entre 18 e 49 anos, com uma meta de distribuição escalonada que visa alcançar 1,8 milhão de unidades disponibilizadas na rede pública. Com essa expansão, o implante junta-se a uma lista já existente de opções de planejamento familiar oferecidas pelo SUS, que inclui preservativos masculinos e femininos, pílulas combinadas e de progestagênio, injetáveis mensais e trimestrais, o DIU de cobre, além de procedimentos cirúrgicos como laqueadura e vasectomia.
O acesso ao conteúdo será liberado imediatamente após o anúncio.
