O Federal Reserve deve elevar os juros dos Estados Unidos em 0,25 ponto percentual na decisão desta quarta-feira (16). A expectativa predominante é que o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) conduza a taxa para a faixa entre 3,75% e 4,00% ao ano. Se confirmada, será a primeira alta desde que Kevin Warsh assumiu a presidência do Fed, em maio.
Segundo Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, a probabilidade atribuída pelo mercado ao aumento passou de aproximadamente 60% para perto de 90% nos últimos dias. A mudança ocorreu após o discurso mais rígido de Warsh contra a inflação, a divulgação de dados de preços acima do esperado e a alta do petróleo para mais de US$ 100 o barril, em meio à escalada do conflito no Oriente Médio.
Inflação sustenta expectativa de aumento
O índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos (CPI) avançou 0,4% em agosto, enquanto o núcleo subiu 0,3%. Para o BTG Pactual, o resultado reforçou o argumento a favor de uma alta, especialmente por causa da retomada das pressões sobre os preços de serviços.
Andressa Durão, economista do ASA, também avalia que os dados de inflação dão suporte ao aumento e podem ajudar Warsh a convencer integrantes indecisos. Ainda assim, ela espera pelo menos um voto contrário à elevação, em favor da manutenção dos juros.
O mercado de trabalho também não aparece como obstáculo à decisão. O payroll de agosto registrou a criação de 162 mil vagas, enquanto a taxa de desemprego ficou em 4,1%. O BTG classificou o mercado de trabalho como saudável. A atividade econômica, por sua vez, é vista como resistente, com destaque para o consumo e os investimentos empresariais, inclusive em inteligência artificial.
Projeções e comunicação
Com a alta amplamente esperada, a atenção deve se concentrar no dot plot, gráfico que reúne as projeções dos integrantes do Fomc para os juros. BTG e ASA projetam duas altas de 0,25 ponto percentual até o fim do ano. O BTG também espera uma revisão para cima da taxa de longo prazo e uma mediana próxima de 4,1%.
As duas instituições esperam uma comunicação mais rígida, mantendo o compromisso de levar a inflação à meta. Para o BTG, novas elevações continuarão em discussão, dependendo do comportamento dos preços e da resposta das condições financeiras.
