# Maré invade ruas do Centro Histórico de Paraty durante períodos do mês

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- Published: 2026-10-27T09:15:01-03:00
- Author: Felip trends

Em determinados períodos do mês, a maré avança pelo calçamento de pedra do Centro
Histórico de Paraty e cobre ruas próximas aos casarões coloniais. A água entra pelas
frestas do piso irregular, corre pelas vias e recua quando a maré baixa.

O bairro foi construído em terreno baixo, junto à Baía da Ilha Grande. Nas marés
mais fortes, próximas às luas cheia e nova, o nível da água ultrapassa a altura 
das ruas junto ao cais. A prefeitura afirma que o fenômeno não é um problema urbano,
mas uma herança histórica da cidade.

Segundo a tradição local, transmitida por moradores e guias, as ruas foram projetadas
no século XVIII para permitir a entrada da água e a limpeza do calçamento. As pedras
de pé de moleque formam frestas e uma inclinação em forma de calha, que ajuda a 
água a escoar nos dois sentidos e retornar ao mar.

As casas, por outro lado, foram erguidas acima do nível das ruas para evitar que
a água entre nos imóveis durante a cheia. A combinação entre vias baixas e soleiras
elevadas permite que a maré circule pelo centro sem alcançar o interior das construções.

O conjunto arquitetônico e paisagístico de Paraty foi protegido pelo Instituto do
Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em 1958. Em 1974, o tombamento foi ampliado
para todo o entorno, e intervenções no centro antigo passaram a exigir aprovação
federal.

Em 2019, Paraty e Ilha Grande receberam da Unesco o título de Patrimônio Mundial,
sob o nome “Paraty e Ilha Grande: Cultura e Biodiversidade”. O bem reúne cinco componentes
ligados à Mata Atlântica, à planície costeira, ao ambiente marinho e ao modo de 
vida de comunidades tradicionais. As previsões oficiais dos horários de maré são
publicadas pelo Centro de Hidrografia da Marinha.

O turismo, atraído pela arquitetura preservada e pelo fenômeno das marés, gera emprego
e investimento, mas também traz desafios para os moradores. A administração local
busca conciliar as exigências de preservação com a rotina das famílias que vivem
nos casarões.
