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Maré invade ruas do Centro Histórico de Paraty durante períodos do mês

O calçamento foi desenhado para deixar a maré entrar e escoar; as casas ficam elevadas para proteger os imóveis. O conjunto recebeu proteção federal e reconhecimento da Unesco.

Maré invade ruas do Centro Histórico de Paraty durante períodos do mês

Em determinados períodos do mês, a maré avança pelo calçamento de pedra do Centro Histórico de Paraty e cobre ruas próximas aos casarões coloniais. A água entra pelas frestas do piso irregular, corre pelas vias e recua quando a maré baixa.

O bairro foi construído em terreno baixo, junto à Baía da Ilha Grande. Nas marés mais fortes, próximas às luas cheia e nova, o nível da água ultrapassa a altura das ruas junto ao cais. A prefeitura afirma que o fenômeno não é um problema urbano, mas uma herança histórica da cidade.

Segundo a tradição local, transmitida por moradores e guias, as ruas foram projetadas no século XVIII para permitir a entrada da água e a limpeza do calçamento. As pedras de pé de moleque formam frestas e uma inclinação em forma de calha, que ajuda a água a escoar nos dois sentidos e retornar ao mar.

As casas, por outro lado, foram erguidas acima do nível das ruas para evitar que a água entre nos imóveis durante a cheia. A combinação entre vias baixas e soleiras elevadas permite que a maré circule pelo centro sem alcançar o interior das construções.

O conjunto arquitetônico e paisagístico de Paraty foi protegido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em 1958. Em 1974, o tombamento foi ampliado para todo o entorno, e intervenções no centro antigo passaram a exigir aprovação federal.

Em 2019, Paraty e Ilha Grande receberam da Unesco o título de Patrimônio Mundial, sob o nome “Paraty e Ilha Grande: Cultura e Biodiversidade”. O bem reúne cinco componentes ligados à Mata Atlântica, à planície costeira, ao ambiente marinho e ao modo de vida de comunidades tradicionais. As previsões oficiais dos horários de maré são publicadas pelo Centro de Hidrografia da Marinha.

O turismo, atraído pela arquitetura preservada e pelo fenômeno das marés, gera emprego e investimento, mas também traz desafios para os moradores. A administração local busca conciliar as exigências de preservação com a rotina das famílias que vivem nos casarões.