# Mais de 1,4 milhão de famílias omitem cônjuge para receber Bolsa Família, diz estudo

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- Published: 2025-06-25T10:18:49-03:00
- Author: Nordeste7

Um levantamento realizado pela empresa DataBrasil, a pedido do site **[_Poder360_](https://www.poder360.com.br/poder-governo/14-milhao-omitem-conjuge-para-receber-bolsa-familia/)**,
indica que **1,4 milhão de famílias no Brasil estão omitindo o cônjuge no Cadastro
Único para receber indevidamente o benefício do [Bolsa Família](https://nordeste7.com.br/metade-dos-brasileiros-depende-de-beneficios-sociais-diz-pesquisa/)**.
A estimativa é considerada conservadora e foi obtida por meio de cruzamento de dados
do Ministério do Desenvolvimento Social e do IBGE.

A prática consiste em não declarar o marido ou a esposa no registro familiar, de
forma a atender aos critérios do programa. O objetivo é simular uma composição monoparental—
com apenas um responsável pela casa e os filhos — para se enquadrar nos requisitos
legais e obter o pagamento mensal do benefício.

## Metodologia usou dados por município

A apuração detalhada foi feita cidade por cidade, com base em dados de março de 
2025 obtidos via **Lei de Acesso à Informação (LAI)**. Foram comparadas as famílias
que se declaram monoparentais no [Bolsa Família](https://nordeste7.com.br/metade-dos-brasileiros-depende-de-beneficios-sociais-diz-pesquisa/)
com o número de domicílios efetivamente monoparentais registrado pelo IBGE em cada
município.

Em Guaribas (PI), por exemplo, existem 151 domicílios monoparentais conforme o Censo,
mas 617 famílias com essa configuração constam no Bolsa Família. Isso representa
uma diferença de **466 cadastros potencialmente fraudulentos**.

## Fraudes podem dobrar o recebimento de benefícios

Além da omissão do cônjuge, há casos em que o casal — ainda morando sob o mesmo 
teto — declara-se separadamente como famílias unipessoais. Assim, pai e mãe se registram
de forma independente, simulando duas famílias distintas e recebendo dois benefícios
em um mesmo endereço. Endereços forjados também foram apontados como possíveis ferramentas
de fraude.

De acordo com **Carla Beni**, professora da **FGV (Fundação Getulio Vargas)**, “
em uma mesma casa, com uma mesma família, duas pessoas não podem receber o Bolsa
Família”. Para ela, a ausência de fiscalização efetiva permite que fraudes ocorram.
A especialista ainda defende o uso do cruzamento de dados por CPF para identificar
as irregularidades com maior precisão.

## Dados apontam irregularidades em mais de 2 mil cidades

O levantamento revela que **2.134 das 5.571 cidades brasileiras** possuem pelo menos
uma família omitindo marido ou mulher para receber o benefício. Em termos absolutos,**
Manaus** lidera a lista com 15.051 casos suspeitos. Já em termos proporcionais, **
Pracuúba (AP)** ocupa a primeira posição. O município possui 157 casas monoparentais
segundo o IBGE, mas 840 famílias se declaram dessa forma para o programa social.

A **nota técnica da DataBrasil** aponta que a presença de trabalhadores formais,
[aposentados e pensionistas](https://nordeste7.com.br/inss-alerta-para-novo-golpe-contra-aposentados-e-pensionistas-fique-atento/)
em cidades com alta incidência de declarações monoparentais levanta dúvidas sobre
a real elegibilidade dessas famílias. O critério legal para o recebimento do benefício
é ter renda de até **R$ 218 por pessoa**, conforme a **Lei 14.601/2023**.

## Impacto fiscal ultrapassa R$ 11 bilhões por ano

Segundo os dados apresentados, as famílias que supostamente omitem o cônjuge geram
um custo de aproximadamente **R$ 926 milhões por mês** ao programa. No acumulado
anual, isso representa **R$ 11,1 bilhões**, que poderiam ser redirecionados para
famílias realmente em situação de vulnerabilidade social.

Ainda de acordo com o estudo, o governo dispõe de mecanismos tecnológicos para investigar
os cadastros. O uso das bases de dados do BPC, do Pé-de-Meia e do próprio Bolsa 
Família poderia ampliar a fiscalização. Outro caminho seria o aumento de **visitas
presenciais** em regiões com alta incidência de inconsistências.

## Ministério responsabiliza municípios por cadastros

O Ministério do Desenvolvimento Social informou ao Poder360 que a **responsabilidade
pelo cadastramento e atualização dos dados das famílias é dos municípios**. A pasta
explicou que, em casos de denúncias, os gestores locais são acionados para apurar
a veracidade das informações conforme prevê a **Instrução Normativa nº 1/SAGICAD/
MDS, de 24 de março de 2025**.

O posicionamento do ministério também detalha as atribuições nos três níveis de 
governo. Cabe ao [governo federal](https://nordeste7.com.br/desaprovacao-ao-governo-lula-atinge-50-em-novembro-segundo-pesquisa-quaest/)
a coordenação geral e a normatização. Aos estados, a capacitação técnica. E aos 
municípios, a coleta, o registro e a verificação dos dados. Quando identificadas
inconsistências, as cidades devem adotar providências para garantir a veracidade
das informações, assegurando o contraditório e a ampla defesa às famílias.

## Governo relutou em divulgar dados

O Poder360 relatou que o acesso aos dados atualizados foi negado pelo [governo federal](https://nordeste7.com.br/desaprovacao-ao-governo-lula-atinge-50-em-novembro-segundo-pesquisa-quaest/)
em diferentes instâncias. O pedido inicial foi feito em 9 de março de 2025. Após
negativas da área técnica e da ouvidoria do ministério, e até do próprio ministro
Wellington Dias, a solicitação foi atendida apenas após intervenção da **Controladoria-
Geral da União (CGU)**.

## Quadro geral dos domicílios e beneficiários

Atualmente, o Brasil possui cerca de **15,1 milhões de domicílios monoparentais**,
segundo o Censo. Destes, **11,3 milhões estão no Bolsa Família**, representando **
74,9% desse grupo**. Na população geral, apenas 25,3% são beneficiários do programa.
Apesar disso, não é possível afirmar que todos os registros sejam fraudulentos, 
mas os dados sugerem a necessidade de revisão e fiscalização mais rigorosa.
