Lula tenta transferir responsabilidade de fraude no INSS e mira gestão anterior

Presidente admite fraude contra aposentados, mas recorre a discurso político e evita assumir falhas de fiscalização

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O presidente Lula da Silva“>Luiz Inácio Lula da Silva declarou neste sábado (10) que a fraude no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) foi um “assalto ao bolso dos aposentados”. Apesar da gravidade do caso, o presidente preferiu focar sua fala na gestão anterior, sugerindo que o esquema fraudulento teve início em 2019. Lula não apresentou detalhes sobre as falhas de controle durante seu atual mandato.

“Eles não foram ao cofre do INSS, eles foram ao bolso do povo, e é isso que nos deixa mais revoltados”, afirmou o presidente, sem explicar como o governo atual permitiu a continuidade das fraudes.

Envolvimento desde 2019 é citado, mas sem nomear responsáveis

Durante o pronunciamento, Lula afirmou que uma “quadrilha” teria sido formada ainda em 2019, época em que o país era governado por Jair Bolsonaro. Sem mencionar nomes, o presidente sugeriu ligação da fraude com o antigo comando do Ministério da Previdência, mas sem apresentar provas ou abrir nomes de suspeitos.

“Vocês sabem quem governava o Brasil em 2019”, declarou Lula, desviando o foco de qualquer responsabilização direta da atual administração.

Governo promete congelar bens e ressarcir vítimas

Lula anunciou que os bens de entidades envolvidas na fraude serão congelados. Segundo ele, os valores recuperados serão utilizados para compensar os aposentados lesados. No entanto, o governo não divulgou até o momento um levantamento oficial sobre o número de vítimas, nem os montantes desviados.

“Vamos usar esses bens para ressarcir o dinheiro das pessoas que foram enganadas”, afirmou, sem apresentar prazos ou estratégias concretas para a devolução dos valores.

Apuração será conduzida por órgãos do próprio governo

A investigação ficará sob responsabilidade da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Polícia Federal. Lula insistiu que não pretende transformar o caso em “show pirotécnico”, mas não detalhou como o esquema permaneceu operando mesmo após mais de um ano de seu terceiro mandato.

“O que eu quero é que a gente consiga apurar e apresentar ao povo brasileiro a verdade”, declarou, destacando que “não tem pressa” na conclusão da apuração.

Falta de autocrítica marca discurso oficial

Mesmo reconhecendo a gravidade das fraudes e os impactos diretos sobre aposentados e pensionistas, o presidente optou por destacar ações futuras, sem admitir falhas de monitoramento durante sua própria gestão. O caso levanta questionamentos sobre a eficácia dos mecanismos de fiscalização da Previdência Social nos últimos dois anos.

“Vamos chegar ao coração da quadrilha”, disse Lula, sem apresentar dados ou cronograma detalhado sobre a investigação.

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