A revogação da antiga lei de aluguéis na Argentina, determinada pelo presidente Javier Milei no fim de 2023, provocou uma transformação profunda no mercado imobiliário do país. Um ano após a medida, a oferta de imóveis disponíveis para locação aumentou mais de 12 vezes, mas os preços continuam pressionando o orçamento dos inquilinos.
A decisão foi tomada por meio de um decreto de necessidade e urgência, com o objetivo de corrigir distorções no setor, que enfrentava escassez de imóveis e valores considerados elevados. Antes da mudança, havia cerca de 550 unidades disponíveis para aluguel em Buenos Aires, número que saltou para mais de 7 mil ao longo de 2024.
Com o aumento da oferta, o mercado passou a apresentar maior equilíbrio entre proprietários e inquilinos. Ainda assim, o impacto da inflação segue sendo determinante na definição dos preços.
Dados do Instituto Nacional de Estadística y Censos apontam que a inflação acumulada chegou a 31,4% ao longo do ano, o que influencia diretamente os reajustes contratuais. Em muitos casos, os aumentos são aplicados de forma periódica, trimestral, semestral ou anual, conforme acordado entre as partes.
Na prática, isso significa que mesmo com mais opções disponíveis, os inquilinos enfrentam aumentos frequentes no valor dos aluguéis, impulsionados principalmente pela desvalorização da moeda e pelo cenário econômico do país.
Crescimento dos aluguéis também avança no Brasil
No Brasil, embora não haja uma mudança tão drástica quanto a registrada na Argentina, o mercado de locação também vem passando por transformações relevantes.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram que o número de imóveis alugados cresceu mais de 54% nos últimos nove anos, alcançando cerca de 18,9 milhões de domicílios em 2025. Atualmente, quase 24% das moradias no país são alugadas.
Ao mesmo tempo, a proporção de imóveis próprios quitados vem diminuindo, indicando maior dependência do aluguel e do financiamento imobiliário por parte da população.
Apesar disso, a legislação brasileira, baseada na Lei do Inquilinato, mantém regras que garantem maior previsibilidade aos contratos, incluindo critérios para reajustes, prazos de desocupação e proteção ao inquilino adimplente.
Enquanto a Argentina aposta na flexibilização do mercado para aumentar a oferta de imóveis, o Brasil segue um modelo mais regulado. Ainda assim, em ambos os países, o custo da moradia continua sendo um dos principais desafios para a população.
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