# Juros futuros recuam com fatores domésticos no radar

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- Published: 2026-09-04T19:15:53-03:00
- Author: Felip trends

A curva de juros futuros recuou em todos os vencimentos nesta sexta-feira (4), destoando
dos títulos do Tesouro norte-americano, os **Treasuries**, durante maior parte do
pregão.

A taxa do contrato de **Depósito Interfinanceiro** (DI) **para janeiro de 2027**,
de curtíssimo prazo, encerrou a** 13,575%**, de 13,567% do fechamento anterior, **
baixa de 12 pontos-base**.

Já a taxa de** DI para janeiro de 2029**, de médio prazo, **encerrou as negociações**
em** 13,840%, **ante 13,883% do fechamento anterior, **recuo de mais de 4 pontos-
base**.

A **DI para janeiro de 2036**, de longo prazo,** cedeu 8,5 pontos-base e terminou
o dia a 14,200%, **ante 14,285% do fechamento da última quinta-feira (20)**.**

Nos EUA, o _yield_ do Treasury de dois anos – mais sensível à política monetária–
operava a 4,391%, ante 4,334% do ajuste anterior, por volta de 18h05 (horário de
Brasília).

Já o retorno do título de 10 anos — referência para empréstimos imobiliários, financiamento
de veículos e dívidas de cartão de crédito — subia para 4,784%, de 4,762% da última
quinta-feira, no mesmo horário.

## O que mexeu com os DIs hoje?

A curva de DI está negociando dois vetores principalmente: desaceleração econômica,
inclusive com preocupação em relação ao crédito podendo fazer com que a desaceleração
se acentue ainda mais, e o noticiário político, resume o gestor de renda fixa e 
moedas da Asset1, André Shiokawa.

Para ele, as pesquisas eleitorais atuaram como principal _driver_ para a curva a
termo não só nesta sexta, como ao longo da semana.

O chefe da mesa de operações do C6 Bank, **Felipe Garcia**, nota que o candidato
da oposição Flávio Bolsonaro (PL) é visto como um pouco mais fiscalista do que o
atual governo. Por isso, quando as pesquisas eleitorais mostram um acirramento nessa
disputa, há espaço para os juros caírem.

A Pesquisa DataFolha mostrou na quinta que a distância entre o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva e Flávio Bolsonaro no segundo turno se reduziu de quatro para dois
pontos porcentuais desde agosto.

Ainda nessa semana, Quaest também mostrou que a vantagem do petista caiu de três
para um ponto porcentual desde a rodada divulgada em 14 de agosto. Já a Pesquisa
PoderData/Aya mostrou Flávio à frente de Lula no segundo turno, pela primeira vez,
com 45% a 44%.

Para Garcia, além de números de atividade desacelerando, os números de inflação 
corrente mais baixos e as expectativas, de certa maneira, estáveis também ajudam
a curva a termo.

Nesta sexta a XP Investimentos destacou a leitura de uma antecipação da desaceleração
projetada para o ano que vem, o que a fez reduzir a projeção de crescimento para
o **Produto Interno Bruto (PIB)** brasileiro de 2026, de 2% para 1,7%.

## No exterior

Os Treasuries avançaram nesta sexta-feira após o relatório de empregos mostrar um
crescimento muito acima das projeções do mercado, reforçando a perspectiva de que
o Fed poderá manter ou até aumentar as taxas de juros para conter a inflação.

A economia dos EUA abriu 162 mil vagas de emprego em agosto, segundo relatório divulgado
nesta sexta-feira pelo U.S. Bureau of Labor Statistics (BLS). Apesar da robustez
do número, a taxa de desemprego permaneceu estável em 4,1%.

**Leia mais:** Payroll: EUA abrem 162 mil vagas de emprego em agosto; taxa de desemprego
permanece em 4,1%

Na ferramenta _FedWatch_, do CME Group, a probabilidade de uma alta nos juros pelo
Fed em setembro subiu de cerca de 50,4% para 58% hoje.

Na avaliação de **Vinicius Flores**, gestor de investimentos e sócio da Stratton
Capital, o payroll reforça uma economia forte e resiliente que continua crescendo
apesar de todos os eventos de volatilidade vivenciados nos Estados Unidos, como 
as tarifas de Donald Trump e o choque no preço do petróleo causado pela guerra no
Irã.

_*Com informações de Estadão Conteúdo_
