# Juros futuros ganham força com petróleo e crise do STF

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- Published: 2026-09-14T19:16:35-03:00
- Author: Felip trends

A curva de juros futuros recuou em quase todos os vencimentos nesta segunda-feira(
14), pressionados pelo aumento do petróleo, que fechou acima de US$ 100 o barril,
e também pela incerteza trazida ao quadro eleitoral pelos novos desdobramentos da
crise do Supremo Tribunal Federal (STF).

As taxas, porém, reduziram o ritmo de avanço ao longo da tarde, na esteira da acomodação
da curva dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA, os **Treasuries**, e dos
ganhos da commodity energética, após relatos sobre negociações entre Estados Unidos
e Irã e uma trégua na guerra da Ucrânia.

A taxa do contrato de **Depósito Interfinanceiro** (DI) **para janeiro de 2027**,
de curtíssimo prazo, encerrou a** 13,585%**, de 13,583% do fechamento anterior, **
perto da estabilidade**.

Já a taxa de** DI para janeiro de 2029**, de médio prazo, **encerrou as negociações**
em** 13,915%, **ante 13,843% do fechamento anterior, **avanço de mais de 7 pontos-
base**.

A **DI para janeiro de 2036**, de longo prazo,** subiu 11,5 pontos-base e terminou
o dia a 14,275%, **ante 14,160% do fechamento da última sexta-feira (14)**.**

Nos EUA, o _yield_ do Treasury de dois anos – mais sensível à política monetária–
operava a 4,668%, ante 4,644% do ajuste anterior, por volta de 18h05 (horário de
Brasília).

Já o retorno do título de 10 anos — referência para empréstimos imobiliários, financiamento
de veículos e dívidas de cartão de crédito — subia para 4,998%, de 4,975% da última
sexta-feira, no mesmo horário.

## O que mexeu com os DIs hoje?

Segundo Luciano Rostagno, estrategista-chefe da EPS Investimentos, o risco externo
diminuiu um pouco na segunda etapa dos negócios, não só devido à desaceleração do
petróleo, mas também após declarações do presidente dos EUA, Donald Trump.

“Ele quis conter o pessimismo em relação ao futuro da humanidade por conta da IA.
Isso também ajuda, afinal a tecnologia pode trazer ganhos de produtividade enormes,
e o mercado vê o avanço da IA como positivo”, disse.

Críticas do republicano a uma possível perda de ímpeto dos investimentos em IA ocorreram
depois de CEOs de gigantes do setor, como Anthropic e OpenAI, terem defendido no
último final de semana desacelerar o desenvolvimento de suas tecnologias, citando
preocupações com segurança.

“O mercado quer ir animado para a eleição, mas o cenário externo está indo na contramão.
Se o externo deixar, aqui vai melhorando”, disse um gestor de renda fixa de uma 
grande asset à _Broadcast_ sob anonimato.

Nesta segunda, duas novas pesquisas eleitorais foram publicadas. A Quaest foi a 
primeira da campanha que mostrou Flávio Bolsonaro numericamente à frente do presidente
Lula em eventual segundo turno, com 42% dos votos, ante 40% do petista. Já o levantamento
BTG/Nexus mostra os dois também empatados tecnicamente, mas com vantagem de Lula(
47% a 46%). “Acho que não houve muito impacto das pesquisas hoje, mas das notícias
sobre o STF, sim”, avalia Rostagno.

Segundo o economista, os pedidos de vista sobre a sessão que julgará Moraes e a 
tentativa de ministros de incluir no julgamento temas não relacionados à relação
do magistrado com Vorcaro passam a impressão a investidores de que o STF não está
disposto a enfrentar a questão, e que as coisas permanecerão como estão. “O país
está assistindo a deterioração diária de uma das mais importantes crises do STF,
senão a mais importante”, afirmou.

Na política monetária, as apostas do mercado estão totalmente concentradas em mais
uma queda de 0,25 ponto percentual da Selic na reunião desta quarta-feira, 16, para
13,75% ao ano. Para a reunião de novembro do Comitê de Política Monetária (Copom),
a curva de juros apontava no fim desta tarde 40% de chance de nova redução, ante
60% de manutenção. A Selic terminal de 2026 está precificada em 13,57%.
