O deputado federal André Janones (Rede-MG) afirmou neste sábado (24) que a mulher chamada “Mariana”, mencionada por ele durante a semana, é Mariana Vishegirskaya, influenciadora ucraniana que sobreviveu ao bombardeio de uma maternidade em Mariupol, em 2022. O próprio parlamentar disse que ela não participou das festas atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e que não há informações que a liguem a Flávio Bolsonaro.
Vishegirskaya ficou conhecida após ser fotografada com ferimentos no rosto ao deixar a maternidade atingida em 9 de março de 2022. O bombardeio deixou três mortos e 17 feridos. No dia seguinte, ela deu à luz uma menina, Veronika. Antes, publicava conteúdos de maquiagem e cuidados com a pele para mais de 80 mil seguidores no Instagram.
Após deixar Mariupol, mudou-se para Donetsk e passou a apoiar o governo de Vladimir Putin. Nas redes sociais, criticou o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky e divulgou conteúdos sobre a reconstrução da cidade e o envio de drones às tropas de Moscou. Em 2024, declarou apoio à reeleição de Putin e comemorou a vitória.
Uma investigação publicada em novembro de 2025 pelo Novaya Gazeta Europe relatou relações de Mariana com figuras influentes russas, entre elas Alexander Torshin e Oleg Khusnullin. Em setembro de 2022, ela agradeceu aos dois pelo fornecimento de medicamentos a moradores de Donetsk. Depois, participou de eventos com eles e divulgou iniciativas humanitárias apoiadas por ambos.
Janones associou a história às suspeitas sobre uma estrutura de recrutamento de mulheres atribuída a Vorcaro. Reportagem do UOL publicada em 13 de outubro informou que ele teria investido pelo menos R$ 4,3 milhões no esquema.
Uma refugiada ucraniana de 19 anos citada nas mensagens chegou ao Brasil em 2023; Mariana tinha 31 anos naquele ano. A defesa de Vorcaro nega exploração ou desrespeito às mulheres e contesta autoria, autenticidade e contexto das mensagens.
Janones disse que usou a história para chamar atenção à vulnerabilidade de refugiadas e cobrar investigação das suspeitas de exploração sexual. Mariana deixou de publicar nas redes no fim de 2024 e tornou privado o Instagram. Em março de 2026, uma checagem da TF1 identificou que ela informava morar em Moscou em perfis no Telegram e no VK.

