# IPCA deve registrar deflação em agosto, mas alívio pode ser temporário; veja o que esperar

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- Published: 2026-09-10T18:46:14-03:00
- Author: Felip trends

O **Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo** (**IPCA**) deve registrar deflação
em agosto, puxado principalmente pela queda nas contas de luz. Apesar do alívio 
no índice cheio, a **inflação de serviços** e a perspectiva de uma retomada dos **
preços dos alimentos** ainda exigem atenção.

O dado será divulgado nesta sexta-feira (11) pelo **Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística** (**IBGE**). As projeções de **Daycoval**, **Santander **e **UBS **
variam entre queda de 0,31% e 0,26%, com média de deflação de 0,28%.

Em julho, o IPCA avançou 0,07%, acumulando alta de 4,39% em 12 meses, abaixo do 
esperado.

## Energia, alimentos e passagens devem puxar índice para baixo

O principal vetor de queda deve ser a **energia elétrica residencial,** beneficiada
pelos descontos temporários decorrentes do bônus de Itaipu. O movimento já havia
aparecido no **IPCA-15 de agosto**, que recuou 0,40%.

O Daycoval, que prevê deflação de 0,31%, também espera contribuições negativas dos
alimentos, especialmente dos produtos _in natura_, além das **passagens aéreas**,
da **gasolina **e do **etanol**.

“Os preços dos alimentos devem se manter em terreno deflacionário, sobretudo pela
queda sazonal dos itens_ in natura_”, afirma o banco. A instituição ressalta, porém,
que esse comportamento benigno já vem perdendo força.

Com isso, o Daycoval projeta que a inflação acumulada em 12 meses desacelere de 
4,4% para 4,2%. O UBS trabalha com uma leitura um pouco mais alta, de 4,27%, após
queda mensal de 0,28%.

## Deflação não encerra preocupações com os preços

Apesar do número negativo esperado, parte do alívio deve ser temporária. O desconto
nas contas de luz não representa uma redução permanente das pressões inflacionárias,
enquanto a queda dos alimentos pode perder força nos próximos meses.

O Daycoval prevê que os preços da alimentação voltem a acelerar a partir do último
trimestre. A instituição também alerta para o risco de um evento climático adverso
intenso, como o _El Niño_, afetar os preços no segundo semestre. A projeção do banco
para o IPCA ao final de 2026 é de 5%.

A maior atenção, porém, estará nos serviços. O Santander espera que os núcleos —
medidas que retiram itens mais voláteis e ajudam a mostrar a tendência da inflação—
permaneçam estáveis. Segundo o banco, o resultado deve ficar “em linha com a melhora
observada nas últimas divulgações”.

Já o Daycoval adota uma leitura mais cautelosa. O banco prevê leve aceleração dos
serviços, com pressão dos itens mais sensíveis à atividade econômica, apesar do 
alívio vindo das passagens aéreas.

Para a instituição, os serviços subjacentes devem registrar “alta importante”, com
destaque para os serviços automotivos, e interromper a trajetória de arrefecimento,“
configurando desafio relevante para o Banco Central”.

Assim, embora a deflação de agosto reforce o processo de desinflação no curto prazo,
a **composição do indicador será mais importante do que o número cheio**.

Uma nova melhora dos núcleos e dos serviços fortaleceria uma leitura mais favorável
para os preços. Caso essas medidas continuem pressionadas, o resultado negativo 
pode ser interpretado apenas como um alívio pontual.
