# Investidores fogem do real e apertam o cerco diante da sombra da reeleição de Lula

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- Published: 2026-08-16T06:18:48-03:00
- Author: Felip trends

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

A dois meses das eleições e com a possibilidade da continuidade de um governo de**
Luiz Inácio Lula da Silva (PT)**, o mercado já começou a incorporar um prêmio eleitoral
no real, depois de [investidores](https://nordeste7.com.br/como-investidores-buscaram-ganhos-de-ate-586-aproveitando-a-volatilidade-das-eleicoes-lbrdjr250/)
terem permanecido comprados em moeda brasileira durante boa parte do ano. O gatilho
se deu depois que o **JP Morgan **piorou a recomendação para o Brasil e que a provedora
de dados MSCI anunciou a exclusão dos papéis da **Stone (STNE)** da sua carteira
relativa ao Brasil, conhecida como MSCI Brazil.

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As recomendações de grandes bancos estrangeiros e brasileiros vistas em relatórios
divulgados nos últimos dias mostram que o mercado entra na campanha com posições
ainda bastante compradas em real, mas que começa a desmontá-las [diante](https://nordeste7.com.br/eliana-se-emociona-ao-vivo-e-confirma-saida-de-programa-da-globo-encerrando-uma-fase-diante-do-publico/)
do cenário eleitoral, aumentando a pressão sobre a divisa doméstica. Quanto mais
as pesquisas consolidarem uma vantagem de Lula, segundo essas análises, maior tende
a ser a volatilidade – especialmente porque o mercado também está preocupado com
a trajetória fiscal de 2027.

As duas casas – JP Morgan e MSCI – são referência para a carteira de muitos investidores
de Brasil e seus movimentos se deram no momento em que o Tesouro Nacional passou
a demonstrar mais dificuldades de negociar papéis ligados à inflação (NTN-B) ou 
prefixados (NTN-F). Como ocorre normalmente, esse tipo de tendência tem origem nos
títulos públicos e depois costuma migrar para o câmbio. É o que estaria acontecendo
agora.

Basicamente, o movimento ocorre porque diminui o apetite por papéis que tendem a
perder valor no futuro. Se há a avaliação de que o Tesouro Nacional, por exemplo,
terá de fazer cada vez mais emissões, haverá mais necessidade de recursos para se
financiar e, portanto, terá de colocar mais títulos no mercado. Com a expectativa
de que a tendência é de aumento da oferta, os papéis perdem valor. O que o mercado
começou a colocar na conta é que os juros a serem pagos pelo governo tendem a subir
no futuro por causa da relação inversa existente entre o valor de face e a sua taxa.

Em entrevista ao _Broadcast_ (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado)
no começo da semana, o secretário-executivo do Ministério da Fazenda e ex-secretário
do **Tesouro Nacional**, **Rogério Ceron**, garantiu que o governo não tem dificuldade
em financiar sua dívida pública.

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“Nenhuma [dificuldade], isso tem que ficar muito claro. O Tesouro se prepara para,
quando chegar próximo do ciclo de eleições, formar um colchão de liquidez para isso.
Há uma incerteza sobre o futuro, que é normal, numa eleição. Naturalmente, há mais
demanda por LFTs. Isso é muito distinto de falar que o Tesouro tem dificuldade de
se financiar”, afirmou.

Na prática, no entanto, a avaliação geral de quem acompanha o mercado é a de que
o investidor está se desinteressando por comprar o futuro do Brasil. Daí a maior
procura por papéis indexados à Selic (LFTs). A busca por títulos indexados em juros
revela que a aposta dos investidores é a de que o Banco Central agirá se a inflação
voltar a ser um problema para o País. Atualmente, o Brasil passa por um período 
de afrouxamento monetário a conta-gotas, com a Selic em 14,00% ao ano.

São muitas as dúvidas a respeito do próximo movimento do** Comitê de Política Monetária(
Copom)**, se haverá continuidade ou pausa no atual ciclo. Na ata divulgada esta 
semana, o colegiado deixou as portas abertas para sua próxima decisão. O documento
foi considerado duro pela maior parte dos agentes financeiros.

Para não ficarem tão expostos em real, portanto, os investidores têm diminuído suas
posições mais longas em moeda brasileira. No exterior, a procura é por divisas pares
de países que não passam no momento por incertezas políticas, na intenção de defesa
de suas carteiras.

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**Relatórios**

Relatórios recentes de grandes bancos – domésticos e estrangeiros – obtidos pelo
_Broadcast_ revelam que esta vem sendo, no geral, a recomendação aos investidores.
As análises têm enfatizado que o real acumulou uma queda na casa dos 2% na semana
e vem tendo desempenho pior que outras moedas de mercados emergentes, em um movimento
que os bancos atribuem principalmente ao aumento da percepção de risco eleitoral.

As posições compradas em BRL continuam elevadas: dados da _International Money Market_(
IMM), por exemplo, colocavam essas posições no percentil 99 dos últimos dez anos,
enquanto uma pesquisa do JP Morgan mostrava o real no percentil 81 e como a segunda
moeda mais comprada entre emergentes.

Com o início oficial da campanha eleitoral, a constatação é a de que essa posição
técnica deixa o real mais vulnerável a oscilações. A perspectiva de uma eventual
[reeleição](https://nordeste7.com.br/com-popularidade-em-queda-lula-desafia-adversarios-quem-quiser-disputar-tem-que-me-enfrentar-na-rua/)
de Lula passou a pesar mais sobre os preços dos ativos brasileiros, e o mercado 
está acompanhando de perto as pesquisas. Segundo as análises, se a vantagem do presidente
persistir ou aumentar nas próximas semanas, a volatilidade dos ativos locais pode
crescer ainda mais.

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O movimento já aparece no câmbio, conforme os _papers_: o dólar superou a média 
móvel de 200 dias, em torno de R$ 5,20, acionando ordens automáticas de compra. 
Bancos e gestores também começam a reduzir exposição ao real e a substituí-lo por
outras moedas emergentes, sinalizando uma mudança de sentimento.

O chamado “prêmio eleitoral”, que o mercado vinha cobrando por considerar que ainda
não estava suficientemente refletido no câmbio, agora começa a aparecer. Investidores
sistemáticos, fundos de hedge e gestores de recursos reais estão comprando dólar,
enquanto as empresas continuam vendendo, mas os fluxos de saída do Brasil têm sido
maiores que essa oferta de dólares corporativa.

**Política Fiscal**

Um dos principais pontos de preocupação para o mercado, além do resultado eleitoral
em si, é a política fiscal após 2026. A questão colocada pelos analistas é se um
eventual governo reeleito conseguirá promover o ajuste fiscal necessário em 2027
ou se será preciso que o mercado pressione os preços dos ativos para provocar essa
correção.

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Em entrevista ao _Broadcast_ esta semana, um interlocutor da coordenação econômica
da campanha à reeleição de Lula afirmou que o objetivo é evitar “cascas de banana”
ao anunciar, de antemão, projetos concretos para ajustes fiscais. Sinalizou, porém,
que pode enviar propostas estruturantes ainda em 2026, em caso de vitória.

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