# Influenciador que pediu para que pobres não votem deve ser obrigado a pagar indenização de R$ 300 mil

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- Published: 2026-07-01T02:39:49-03:00
- Author: Felip trends

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) ajuizou uma ação civil pública contra 
o [influenciador](https://nordeste7.com.br/homem-finge-a-propria-morte-e-aparece-de-helicoptero-no-funeral/)
e treinador financeiro Leonardo Marcondes por publicações consideradas discriminatórias
contra pessoas em situação de pobreza. Na ação, a Promotoria de Justiça de Direitos
Humanos da Capital solicita que a Justiça determine o pagamento de R$ 300 mil por
danos morais coletivos e dano social, além da remoção de seu perfil no Instagram,
que reúne mais de 1,4 milhão de seguidores.

O processo tem como base um vídeo publicado em 26 de dezembro de 2025, no qual Marcondes
questiona o direito ao voto de pessoas de baixa renda. Entre as declarações, o influenciador
afirmou que “pobres não deveriam votar” e defendeu que as decisões políticas deveriam
ficar concentradas nas mãos dos mais ricos.

Segundo o Ministério Público, as falas extrapolam o direito à liberdade de expressão
e configuram discurso discriminatório ao associar pobreza à incapacidade de exercer
direitos políticos garantidos pela Constituição.

## **MP aponta aporofobia e pede retirada do perfil**

Na ação, o promotor Ricardo Manuel Castro sustenta que as declarações caracterizam
aporofobia, termo utilizado para definir a discriminação e a hostilidade contra 
pessoas em situação de pobreza.

De acordo com o MP-SP, o conteúdo reforça estereótipos ao relacionar a condição 
econômica à irresponsabilidade e à incapacidade de participar da vida democrática
do país.

Além da condenação ao pagamento de R$ 300 mil, valor que, se determinado pela Justiça,
será destinado ao Fundo Estadual de Defesa dos Interesses Difusos, a Promotoria 
pede a remoção do vídeo e de todo o perfil do influenciador no Instagram. A Meta,
empresa responsável pela plataforma, também foi incluída na ação.

O Ministério Público requer ainda que os dados da conta sejam preservados para produção
de provas durante o processo.

## **Justiça pode impor novas restrições**

Entre os pedidos apresentados pelo MP-SP está também a proibição de que Leonardo
Marcondes publique novos conteúdos considerados aporofóbicos nas redes sociais.

A Promotoria solicita ainda que, caso seja condenado, o influenciador participe 
de um curso sobre inclusão social com carga horária mínima de 30 horas, abordando
especificamente o combate à discriminação contra pessoas em situação de vulnerabilidade
econômica. O prazo para a conclusão da formação seria de até um ano.

Nos autos, o Ministério Público argumenta que o direito ao voto representa um dos
pilares da cidadania e do sufrágio universal, sendo incompatível com qualquer tentativa
de restringir a participação democrática com base na condição econômica. Para o 
órgão, manifestações que promovam a estigmatização de grupos vulneráveis não são
protegidas pela liberdade de expressão quando atentam contra os princípios da igualdade,
da dignidade da pessoa humana e do regime democrático.

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