# Hora de vender? BofA vê 2 riscos para bolsa

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- Published: 2026-09-02T18:45:52-03:00
- Author: Felip trends

O **Bank of America (BofA)** segue com recomendação **marketweight (neutra)** para
o Brasil, refletindo uma perspectiva mais desafiadora para as taxas de juros e expectativas
mais fracas para os resultados corporativos. “A **incerteza fiscal após as eleições**
continua sendo a principal preocupação”, acrescenta.

De acordo com os analistas do banco, a **incerteza continua elevada no Brasil**,
mas houve uma **melhora marginal nos fatores técnicos** do mercado brasileiro.

O **Ibovespa (IBOV)** acumula queda de cerca de 9% em relação às máximas registradas
neste ano, movimento que ajudou a tornar os preços mais atrativos. Segundo o banco,
o índice, excluindo as empresas de commodities, é negociado com **desconto de 15%
em relação às médias históricas**.

Além disso, o fluxo de saída de investidores estrangeiros perdeu força nas últimas
semanas, o que é visto como um sinal positivo para a bolsa.

Ainda assim, a avaliação do BofA é de que o ambiente macroeconômico permanece frágil.
Os analistas destacam a **piora dos indicadores de crédito**, a **temporada de balanços
considerada abaixo do esperado** e a **baixa confiança dos investidores** em relação
ao mercado brasileiro.

Na América Latina, o banco reduziu à exposição a México, rebaixando a recomendação
de neutra para **_underweight _(venda)**, diante da atividade econômica mais fraca,
da incerteza em relação aos investimentos relacionados ao acordo Estados Unidos-
México-Canadá (USMCA) e das preocupações fiscais.

Por outro lado, o BofA adotou uma visão **ligeiramente_ overweight_ (compra) nos
países andinos**, aumentando a exposição ao Peru, enquanto a recomendação de Argentina
segue de compra.

## Selic

O BofA considera que a política monetária permanece restritiva no país, com o **
Banco Central (BC)** enfatizando a necessidade de manter as expectativas de inflação
ancoradas, apesar dos sinais de moderação da atividade e de alívio na inflação.

“Esperamos **mais um corte de juros antes de uma pausa prolongada**, com a Selic
encerrando 2026 em **13,75%**, recuando para **12,75% em 2027** e **11,75% em 2028**“,
afirma.

No entanto, o banco avalia que com os dados mais benignos da inflação e desaceleração
econômica, o cenário de mais reduções no juro básico está ganhando força.

## Riscos para a tese

O BofA afirma que a atenção está cada vez mais voltada para as **eleições brasileiras
de 2026**, com o primeiro turno marcado para **4 de outubro** e um eventual segundo
turno em **25 de outubro**.

“Na economia, a política fiscal continua sendo a principal questão, uma vez que 
o aumento da dívida pública exige um ajuste relevante. No entanto, a **estrutura
rígida de gastos do Brasil limita o espaço para uma consolidação fiscal**“, avalia
o banco.

Com as eleições no radar, o BofA avalia que a visão neutra para o Brasil pode ser
desafiada por **resultados eleitorais **e pela percepção do mercado em relação às
propostas dos candidatos.

No atual cenário, o banco tem preferência por empresas líquidas de grande capitalização,
capazes de gerar fluxo de caixa em um ambiente de juros elevados por mais tempo.
