O governo do Iêmen anunciou uma grande operação militar para conter os avanços dos rebeldes houthis, que no mês passado tomaram um importante porto na costa do Mar Vermelho. O presidente do Conselho Presidencial iemenita, Rashad al-Alimi, disse neste domingo (4) que a ofensiva busca recuperar territórios controlados pelo grupo e restaurar a autoridade do Estado.
Al-Alimi afirmou que a decisão foi tomada diante da mobilização e dos ataques contínuos dos houthis, além de ameaças contra civis, instalações, países vizinhos e rotas marítimas internacionais. A operação era esperada após ataques aéreos sauditas contra posições rebeldes e novos avanços do grupo no sul do país.
Os houthis relataram ataques sauditas à capital, Sanaa, no sábado (3) e novamente no início deste domingo. A coalizão liderada pela Arábia Saudita não confirmou as ações. O grupo também afirmou ter atingido instalações da empresa de energia Aramco em Riad e na região de Khurais, em retaliação a mais de 50 ataques aéreos contra Sanaa e outras localidades. As autoridades sauditas não comentaram as reivindicações.
Os combates recentes se concentraram no sul de Taiz. Neste domingo, os houthis disseram ter tomado uma rodovia importante entre Taiz e Áden, sede do governo. Na região de Al-Jawf, o grupo também afirmou ter causado baixas às forças governistas com ataques de mísseis e drones.
A retomada da violência já levou dezenas de milhares de pessoas a deixar suas casas. O Programa Mundial de Alimentos alertou na semana passada que três em cada quatro famílias em algumas áreas do Iêmen passam fome. O avanço houthi alcançou uma área próxima ao estreito de Bab al-Mandeb, rota importante para o comércio marítimo. O grupo ameaçou atacar navios sauditas que tentarem atravessar o estreito.
Na segunda-feira (5), autoridades sauditas devem se reunir em Riad com representantes da Turquia e do Paquistão para discutir a situação. A guerra, iniciada em março de 2015, provocou 377 mil mortes até o fim de 2021, segundo a ONU; mais de 150 mil foram resultado direto do conflito armado.
