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Golpistas usam chamadas de vídeo para se passar pela Receita Federal

A Receita Federal emitiu um alerta nacional após identificar a expansão de uma nova modalidade de golpe que combina chamadas de vídeo, documentos forjados, uso de dados reais das vítimas e ameaças de punições fiscais. A fraude tem se espalhado rapidamente e preocupa autoridades por…

Receita federal

A Receita Federal emitiu um alerta nacional após identificar a expansão de uma nova modalidade de golpe que combina chamadas de vídeo, documentos forjados, uso de dados reais das vítimas e ameaças de punições fiscais. A fraude tem se espalhado rapidamente e preocupa autoridades por explorar o medo da população em relação a problemas com o CPF e supostas irregularidades tributárias.

Segundo o órgão, os criminosos se passam por servidores da Receita Federal ou por policiais envolvidos em investigações. Eles afirmam que a vítima estaria ligada a operações fiscais ou criminais e, sob pressão psicológica, exigem pagamentos via PIX ou a entrega de informações pessoais e bancárias.

A estratégia é sofisticada, usa linguagem técnica, cita investigações verdadeiras e apresenta documentos falsificados para criar uma sensação de urgência e legitimidade.

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Como funciona o golpe da falsa investigação fiscal

O golpe segue um roteiro bem definido, pensado para envolver emocionalmente a vítima e dificultar que ela questione a situação.

Primeiro contato por telefone

De acordo com a Receita Federal, o primeiro contato costuma acontecer por ligação telefônica. O golpista já se apresenta com nome completo, cargo falso e número de matrícula fictício, dizendo atuar em uma operação em andamento.

Nesse momento, ele informa que o CPF da vítima teria aparecido em investigações, movimentações suspeitas ou documentos apreendidos. O discurso é firme, técnico e, muitas vezes, agressivo, para intimidar.

Migração para chamada de vídeo

Após o contato inicial, os criminosos pedem que a conversa seja transferida para uma chamada de vídeo. É nesse ponto que o golpe ganha aparência de legitimidade.

Durante a videochamada, o golpista exibe supostos crachás funcionais, telas com brasões da República, intimações, autos de infração e documentos com logotipos da Receita Federal. Tudo é falso, mas visualmente convincente.

Exibição de documentos forjados

Os papéis mostrados na tela incluem supostas intimações fiscais, termos de investigação, autos de infração e ordens de bloqueio de bens. Esses materiais trazem nomes de operações reais, carimbos, assinaturas digitalizadas e até menção a autoridades conhecidas para reforçar a credibilidade da fraude.

Uso de dados reais aumenta o poder do golpe

Um dos fatores que tornam essa fraude ainda mais perigosa é o uso de informações verdadeiras das vítimas.

Nome completo e CPF na abordagem

Os golpistas citam o nome completo da pessoa, o número do CPF e, em alguns casos, até endereço e dados de familiares. Isso faz com que a vítima acredite estar, de fato, diante de uma investigação oficial.

Esses dados podem ter sido obtidos em vazamentos, cadastros antigos ou bancos de dados ilegais comercializados na internet.

Citação de operações verdadeiras

Para dar mais peso à narrativa, os criminosos mencionam investigações reais, como a chamada “Carbono Oculto”, entre outras operações que já foram noticiadas. A intenção é criar um vínculo entre algo verdadeiro e a situação inventada.

Pressão psicológica e ameaças de punições

A tática central do golpe é o medo.

Ameaça de bloqueio de contas e bens

Durante a conversa, a vítima é informada de que poderá sofrer bloqueio de contas bancárias, suspensão de benefícios sociais, restrições no Banco Central e abertura de processo criminal. Tudo isso é apresentado como algo iminente, que só poderia ser evitado com colaboração imediata.

Exigência de sigilo

Outro ponto comum é a exigência de que a vítima não conte a ninguém sobre a suposta investigação. O golpista afirma que se trata de um processo sigiloso e que qualquer divulgação poderia agravar a situação.

A Receita Federal destaca que não existe pedido de sigilo por telefone nem exigência de confidencialidade em investigações reais feitas pelo órgão dessa forma.

Pagamentos via PIX e coleta de dados sensíveis

O objetivo final da fraude é financeiro.

Cobrança de valores para regularização

Após o teatro da investigação, o golpista informa que há uma pendência fiscal e que a vítima pode resolver a situação pagando um valor específico, geralmente relativamente baixo para não levantar suspeitas, como R$ 419.

É oferecido um desconto para quitação imediata por meio de PIX.

Solicitação de informações pessoais

Em outros casos, os criminosos pedem dados bancários, senhas, códigos enviados por SMS e fotos de documentos. Essas informações podem ser usadas para fraudes futuras, empréstimos indevidos e invasões de contas.

Receita Federal esclarece o que não faz

O órgão reforça que esse tipo de abordagem é totalmente fraudulento.

Não há contato por telefone ou videochamada

A Receita Federal não realiza abordagens por telefone, WhatsApp ou chamadas de vídeo para tratar de investigações, cobranças ou regularização de CPF.

O órgão não envia links por mensagem ou ligação para pagamento de débitos ou regularização de pendências fiscais.

Não existe assinatura eletrônica durante ligações

Também não há qualquer pedido de assinatura eletrônica de termos durante ligações telefônicas ou videochamadas.

Golpes também circulam pelo WhatsApp

Além das chamadas de vídeo, outra frente da fraude ocorre por mensagens.

Mensagens sobre irregularidade grave no CPF

Textos enviados por WhatsApp alertam para supostas irregularidades fiscais graves e direcionam a vítima a links falsos para regularização e pagamento.

As mensagens costumam usar logotipos da Receita Federal e do governo federal, além de linguagem formal e ameaçadora.

Números internacionais e aparência oficial

Em alguns casos, as mensagens partem de números com origem internacional, como do Reino Unido. Ainda assim, exibem o nome completo e o CPF da vítima, o que aumenta a chance de a pessoa acreditar na fraude.

Sites falsos imitam páginas do governo

Os links das mensagens levam a páginas que simulam portais oficiais.

Layout semelhante ao de órgãos públicos

Os sites usam brasões da República, nomes como “Consulta Judiciária Federal”, campos para digitação de CPF e textos jurídicos com citações de leis. Tudo é montado para parecer legítimo.

Falsa intimação e dívida inventada

Após o preenchimento do CPF, o site informa a existência de um suposto processo judicial e apresenta uma falsa intimação fiscal. Ao final, aparece uma dívida e a oferta de pagamento via PIX com desconto.

O dinheiro é direcionado a intermediadoras de pagamento, dificultando a identificação do destinatário final.

Como se proteger desse tipo de golpe

A Receita Federal orienta a população a adotar cuidados básicos.

Desconfie de ligações e videochamadas

Qualquer contato por telefone ou vídeo envolvendo investigação fiscal, pedido de dados ou cobrança deve ser considerado suspeito.

Evite acessar links enviados por WhatsApp, SMS ou e mail que prometam regularizar CPF ou débitos fiscais.

Nunca faça pagamentos sob pressão

Órgãos públicos não exigem pagamentos imediatos via PIX durante ligações ou mensagens.

Consulte apenas canais oficiais

A verificação de situação fiscal deve ser feita exclusivamente pelos canais oficiais da Receita Federal, digitando o endereço diretamente no navegador.

O impacto social dos golpes digitais

Esse tipo de crime não causa apenas prejuízos financeiros. Ele também gera medo, ansiedade e desconfiança nas instituições.

Especialistas alertam que o uso de dados reais e a simulação de autoridade pública tornam o golpe mais convincente, exigindo maior atenção da população e investimentos contínuos em educação digital.

Conclusão

O alerta da Receita Federal mostra que os golpes estão cada vez mais elaborados, combinando tecnologia, engenharia social e informações verdadeiras para enganar as vítimas. A principal defesa continua sendo a informação: entender que o órgão não faz esse tipo de contato e desconfiar de cobranças e investigações comunicadas por telefone, vídeo ou mensagens é essencial para evitar prejuízos.

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