# Goldman Sachs eleva projeções para o petróleo e vê Brent acima de US$ 120

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- Published: 2026-09-08T12:46:05-03:00
- Author: Felip trends

Os preços do **petróleo** voltaram a operar próximo a **US$ 100 o barril** com a
escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio nos últimos dias
e a redução das expectativas de avanço de um acordo para a reabertura do Estreito
de Ormuz.

Diante desse cenário, o **Goldman Sachs **elevou as projeções para o Brent e o West
Texas Intermediate (WTI), referência para os EUA, em US$ 5, com a perspectiva de
que as interrupções no transporte marítimo no Oriente Médio continuarão até 2027.

Para dezembro deste ano, o banco prevê o barril do **Brent a US$ 85** e do **WTI
a R$ 80**. Já para 2027, a estimativa é de Brent a US$ 80 e WTI a US$ 75.

“Os mercados estão precificando cada vez mais um conflito prolongado no Oriente 
Médio. Os contratos futuros do Brent à vista subiram para US$ 97, enquanto a probabilidade
implícita nas opções de o Brent superar US$ 100 em março de 2027 aumentou de cerca
de 6% há um mês para aproximadamente 25% atualmente”, destacaram os analistas Daan
Struyven, Yulia Grigsby, Alexandra Paulus e Filippo Cuscito, em relatório divulgado
nesta terça-feira (8).

Ainda segundo o banco, as taxas de frete para navios-tanque que transportam petróleo
do Golfo Pérsico para a China no segundo trimestre de 2027 já estão precificando
interrupções no transporte marítimo que se estenderiam até esse período.

## Os 3 fatores que estão segurando os preços

Apesar da deterioração do cenário geopolítico, o banco avalia que os preços não 
necessariamente precisam disparar no curto prazo. Um dos principais motivos é o 
comportamento dos estoques comerciais de petróleo da Organização para a Cooperação
e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Os estoques terrestres comerciais da OCDE, considerados um dos principais indicadores
para os preços do petróleo, praticamente não recuaram desde o início da guerra. 
No fim de agosto, o nível estimado ficou 119 milhões de barris acima da projeção
feita em julho.

A queda mais limitada do que o esperado reflete um déficit menor em meio à adaptação
do mercado, além da concentração das retiradas em outras categorias de estoques.

Outro fator que reduz a pressão sobre os preços é que o mundo ainda não estaria 
próximo de ficar sem petróleo. A estimativa é de que os estoques globais de petróleo
já entregue tenham recuado de 9,06 bilhões de barris antes da guerra para 8,69 bilhões
atualmente. O volume ainda está bem acima do nível mínimo operacional estimado, 
de 4,20 bilhões de barris.

Além disso, a China também deve limitar a alta nos preços do petróleo. Segundo o
banco, as importações líquidas chinesas de petróleo bruto sensíveis aos preços ainda
estão cerca de 30% abaixo do nível registrado um ano antes.

“Esperamos que as importações chinesas de petróleo bruto permaneçam baixas caso 
os preços continuem elevados, porque os dois fatores que explicam esse movimento—
menor demanda por petróleo e redução dos estoques de petróleo bruto — parecem amplamente
sustentáveis nos próximos trimestres”, afirmam os analistas.

De acordo com o banco, os investimentos em veículos elétricos, transporte público
e plantas petroquímicas baseadas em carvão aumentaram a flexibilidade para substituir
o petróleo sem exercer muita pressão sobre a atividade econômica.

## Até onde vai o petróleo?

Para o Goldman Sachs, os riscos para a projeção continuam significativamente inclinados
para cima, especialmente no curto prazo.

Sendo assim, o banco considera que o Brent pode superar US$ 120 por barril em um
cenário de interrupções mais intensas e geograficamente mais amplas no transporte
marítimo, além de danos à infraestrutura de produção ou exportação de petróleo bruto–“
o que poderia manter a produção no Oriente Médio ou em outras regiões comprometida
por mais tempo”, diz o banco.

“Uma intensificação dos ataques a navios no Estreito de Ormuz e no Mar Vermelho 
é o gatilho mais provável para uma alta dos preços”, afirmam os analistas.

Do outro lado, caso haja uma recuperação mais rápida da produção no Oriente Médio
e perdas de demanda mais persistentes, o Goldman Sachs considera que o barril do
Brent volte a cair para a faixa de US$ 60 ao longo do próximo ano.
