A reunião de ministros das Relações Exteriores do G20, em Atlanta, terminou sem sinal de mudança na posição russa sobre Kiev. As guerras na Ucrânia e no Irã ampliaram as divergências entre os integrantes do grupo, em encontro marcado por acusações e disputas diplomáticas.
A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, acusou o chanceler russo, Serguei Lavrov, de apresentar “mentiras” sobre o conflito. “Ele apresentou muitas mentiras, muitas narrativas falsas que também conseguimos rebater depois”, afirmou à AFP.
Autoridades europeias também pressionaram Moscou por um cessar-fogo no Mar Negro, rota estratégica para a exportação de produtos agrícolas. Uma fonte diplomática europeia descreveu Lavrov como “bastante provocador”. O ministro russo criticou o que chamou de “boicote arrogante” dos europeus e elogiou a disposição do governo de Donald Trump para dialogar com Moscou.
A tradicional foto de grupo foi cancelada pouco antes da reunião. Uma fonte diplomática disse que representantes europeus se opuseram a aparecer ao lado de Lavrov. Um funcionário americano afirmou que a decisão buscou evitar que a cerimônia se tornasse uma distração diplomática.
Os Estados Unidos tentaram direcionar as conversas para crescimento econômico, desequilíbrios comerciais e cadeias de abastecimento. O secretário de Estado, Marco Rubio, alertou para crises econômicas e geopolíticas que, segundo ele, ameaçam a economia global, e defendeu cooperação diante de tensões no fornecimento de energia e alimentos e sobre a liberdade de navegação.
É esperado que o encontro não produza avanços significativos. Uma fonte diplomática avaliou que, em vez de declaração final, a reunião deve terminar com um resumo da presidência americana. O encontro prepara a cúpula de líderes do G20 prevista para dezembro, em Miami.

