Os Estados Unidos deslocaram para o Caribe uma frota com 4,5 mil marinheiros e fuzileiros, equipada com navios de assalto anfíbio, contratorpedeiros, submarino nuclear e aeronaves de vigilância. A justificativa oficial é o combate ao narcotráfico, mas a movimentação intensificou a pressão sobre o regime de Nicolás Maduro.
A presença militar reforçou alertas em Caracas, onde autoridades analisam diferentes hipóteses de ação americana. Entre os cenários estão interceptação de embarcações, violações de espaço marítimo e ataques pontuais contra bases militares ou membros do regime chavista.
Risco de invasão é considerado baixo
De acordo com relatórios consultados por O GLOBO e análises encomendadas pelo setor privado, a possibilidade de uma invasão em larga escala é avaliada como baixa. Entretanto, especialistas não descartam medidas cirúrgicas ou econômicas.
Um dos relatórios obtidos aponta que os Estados Unidos podem adotar bloqueios navais e financeiros para dificultar as exportações de petróleo venezuelano. Caso isso ocorra, a reação de Caracas poderia incluir a expulsão de companhias americanas, como a Chevron, desviando ainda mais a produção para a China.
Exemplos históricos de operações
Analistas lembram que Washington já realizou operações semelhantes em outros países. O ataque ao general iraniano Qassem Soleimani em 2020 e a invasão do Panamá em 1989 são citados como precedentes de ações rápidas.
Outro caso mencionado foi a Operação Gedeon, em maio de 2020, tentativa frustrada de invasão marítima à Venezuela organizada por dissidentes exilados e contratados americanos.
Operação suspensa por furacão
O Grupo Anfíbio de Prontidão Iwo Jima, embarcado nos navios USS Iwo Jima, USS Fort Lauderdale e USS San Antonio, precisou suspender atividades e retornar à Virgínia devido ao furacão Erin. A previsão atual é que a frota retome a missão e esteja próxima à Venezuela no domingo.
Ainda não há confirmação sobre o recuo dos contratorpedeiros USS Gravely, USS Jason Dunham e USS Sampson, equipados com sistema de mísseis Aegis.
Relação Washington-Caracas em foco
Em suas memórias, o ex-secretário da Defesa Mark Esper revelou que o ex-presidente Donald Trump já tinha planos ousados contra a Venezuela, bloqueados pelo Pentágono. Agora, analistas venezuelanos avaliam que o cenário é mais favorável às ideias de Trump.
Fontes ligadas ao governo americano também afirmam que o secretário de Estado Marco Rubio cogita ações semelhantes à Operação Gedeon, com apoio de paramilitares.
Pressão econômica e política
Embora o risco de invasão direta seja baixo, analistas políticos reforçam que as sanções financeiras e navais são as medidas mais prováveis. Isso poderia atingir diretamente o petróleo venezuelano, setor vital para o regime de Maduro.
Outro fator em debate é a deportação de venezuelanos ilegais dos EUA, prevista para setembro, com aval do próprio Maduro, o que amplia as tensões bilaterais.
Caracas tenta mostrar normalidade
Apesar da pressão internacional, moradores relatam rotina sem mudanças bruscas em Caracas. Não há sinais de corrida a mercados ou fuga em massa. Porém, famílias vizinhas a quartéis, como o Forte Tiuna, buscaram regiões mais afastadas.
Para reforçar a imagem de controle, o ditador Nicolás Maduro percorreu ruas da capital e apareceu de motocicleta em atos públicos durante a semana.
