# Crédito em alerta: Bancos evitam clientes de baixa renda e elevam garantias em meio à piora da economia

- Link: https://nordeste7.com.br/foco-em-garantias-e-cautela-com-baixa-renda-grandes-bancos-brasileiros-redobram-estrategia-defensiva/
- Published: 2026-08-15T11:18:55-03:00
- Author: Felip trends

2023 não foi o ano das varejistas, mas para Felipe Miranda, uma ação deste setor
em específico pode decolar (Imagem: REUTERS/Sergio Moraes)

Os maiores [bancos](https://nordeste7.com.br/governo-vai-utilizar-dinheiro-esquecido-por-brasileiros-em-bancos-para-financiar-novo-programa-social/)
do Brasil estão redobrando a postura mais cautelosa na concessão de [crédito](https://nordeste7.com.br/trabalhadores-podem-solicitar-emprestimos-diretamente-pela-ctps-digital/),
dando continuidade a uma migração para produtos com garantia e [clientes](https://nordeste7.com.br/clientes-do-itau-podem-receber-r-300-direto-na-conta-mas-o-resgate-depende-de-uma-etapa-que-muita-gente-costuma-ignorar/)
de renda mais alta diante de sinais de deterioração nas finanças das famílias, apesar
de um mercado de trabalho ainda forte e de uma [economia](https://nordeste7.com.br/como-evitar-golpes-relacionados-ao-dinheiro-esquecido/)
que segue superando expectativas.

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O **Banco do Brasil** (**BBSA3**) encerrou a temporada de balanços na quarta-feira,
após **Itaú** (**ITUB4**), **Bradesco** (**BBDC4**)** **e **Santander Brasil** (**
SANB11**)** **terem reportado seus números do segundo trimestre. Entre os maiores
bancos listados do país, a mensagem ecoou em uníssono: redução da exposição a tomadores
mais arriscados e ao crédito sem garantia.

A estratégia sugere que as instituições estão se preparando para uma fase mais desafiadora
do ciclo de crédito, após anos em que o forte endividamento das famílias ajudou 
a sustentar o crescimento econômico na maior economia da América Latina.

“Entendo como um reconhecimento mesmo e uma lembrança de que o cuidado nas concessões
de crédito pode ser ainda mais apurado”, disse Katherine Hennings, analista da consultoria
BRCG.

Segundo ela, a postura crescentemente defensiva dos bancos reflete preocupações 
de que a economia brasileira esteja se aproximando de uma fase de desaceleração 
após um período de expansão parcialmente sustentado pelo aumento da alavancagem 
das famílias.

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Períodos de forte crescimento do crédito acompanhados por rápida elevação do endividamento
das famílias historicamente foram seguidos por desacelerações mais profundas do 
consumo, afirmou Hennings, citando a experiência brasileira após o forte aumento
da dívida das famílias entre 2011 e 2015.

O que torna o ciclo atual incomum — e potencialmente mais danoso quando o crescimento
perder fôlego — é que a situação financeira das famílias se deteriorou rapidamente
mesmo com desemprego em níveis baixos e renda em alta, com o comprometimento de 
renda rondando níveis recordes, em torno de 50% da renda disponível.

Hennings atribui a situação a uma combinação de fatores. Do lado estrutural, mudanças
regulatórias, a expansão das fintechs e a rápida adoção de meios digitais de pagamento
ampliaram o acesso ao crédito entre consumidores antes excluídos do sistema bancário.

Do lado conjuntural, ela destacou o estímulo promovido por políticas voltadas para
impulsionar consumo e crédito, incluindo iniciativas mais recentes patrocinadas 
pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva conforme se prepara para disputar a reeleição
em outubro.

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Essas medidas contribuíram para elevar a alavancagem das famílias, muitas vezes 
por meio de modalidades sem garantia e de custo elevado, como cartão de crédito 
e empréstimo pessoal, justamente os tipos de crédito que os grandes bancos agora
[evitam](https://nordeste7.com.br/por-que-chefs-evitam-esse-tipo-de-espatula-e-voce-deveria-tambem/)
conceder para clientes de menor renda.

## Maior renda

Enquanto a mediana de mais de 100 economistas consultados semanalmente pelo Banco
Central na pesquisa Focus projeta crescimento do PIB de 1,5% no próximo ano, ante
cerca de 2% neste ano, executivos do Banco do Brasil disseram na quinta-feira esperar
expansão de apenas 1% em 2027.

O vice-presidente de Finanças do BB, Geovanne Tobias, afirmou que a redução da inadimplência
entre pessoas físicas no próximo ano virá “na medida em que a gente tem focado o
crescimento muito no consignado público e no consignado privado.”

Um dos alertas mais contundentes veio do presidente do Itaú, Milton Maluhy Filho.

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“O volume de crédito que foi distribuído no mercado é muito acima do que o mercado
teria capacidade de absorver”, afirmou, argumentando que o comprometimento de renda
das famílias atingiu níveis excessivamente altos.

Maluhy disse que o cenário piorou na margem, levando o Itaú a priorizar operações
com garantia.

O presidente do Bradesco, Marcelo Noronha, ressaltou que o banco se tornou muito
mais seletivo.

“Nosso apetite para aquele cliente de menor renda hoje é muito menor do que já foi
no passado”, disse, acrescentando que a carteira do Bradesco está hoje significativamente
mais respaldada por garantias.

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O Santander Brasil também reduziu exposição a tomadores de maior risco, especialmente
clientes com renda mensal inferior a R$4 mil, ou cerca de 2,5 vezes o salário mínimo,
citando preocupações com a sustentabilidade dos atuais níveis de emprego e do apoio
governamental às famílias caso a economia desacelere.

O recuo do banco atinge uma parcela ampla da força de trabalho brasileira, já que
cerca de 70% dos ocupados recebem até dois salários mínimos.

“Abaixo de R$ 4 mil, a gente não pode competir com outros incumbentes agora, e não
vamos fazer”, afirmou o diretor financeiro do Santander Brasil, Carlos Muñiz. “E
acima dessa renda, buscaremos sempre operações com algum tipo de garantia.”

A presidente do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, disse que aumentar em 25% o 
número de clientes de “alto valor” até 2030 está entre as prioridades estratégicas
da instituição.

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O **Nubank**, maior banco digital do Brasil, cuja carteira é concentrada em cartões
de crédito e outras modalidades sem garantia, informou na quinta-feira que os empréstimos
com atraso superior a 90 dias subiram para 6,9% no segundo trimestre, ante 6,5% 
tanto no trimestre anterior quanto no mesmo período do ano passado.

Ainda assim, o banco listado nos Estados Unidos registrou crescimento do lucro acima
do esperado, impulsionado por maiores receitas e melhora da margem financeira ajustada
ao risco, enquanto a administração sustentou que não vê deterioração disseminada
dos consumidores apesar de um ambiente macroeconômico mais cauteloso.

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