O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino afirmou, em publicação feita neste domingo (20), que parte das críticas recebidas desde sua chegada à Corte é marcada por preconceito regional. Segundo ele, os ataques estão relacionados à sua origem maranhense e nordestina.
Na mensagem, Dino citou expressões que teriam sido usadas para desqualificá-lo, como “jurista de província”, “pessoa destituída de qualquer qualificação” e “oratória grandiloquente de província”. Para o ministro, os termos revelam “o ódio à minha procedência regional” e representam preconceito regional de matriz racista.
Dino também respondeu a questionamentos sobre sua formação intelectual e sobre referências filosóficas utilizadas em votos no STF. Ele afirmou ter estudado a obra de Aristóteles na Universidade Federal do Maranhão (UFMA), sob orientação do professor Agostinho Ramalho Marques Neto, e durante o mestrado na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), nas aulas do professor João Maurício Adeodato.
O ministro ironizou críticas segundo as quais suas citações seriam elementares ou não corresponderiam literalmente aos textos de Aristóteles. Ele associou esse tipo de comentário ao preconceito contra sua origem regional.
Ao tratar da função no Judiciário, Dino declarou que zela pela independência funcional diante dos poderes públicos e privados. Para ele, sem essa independência não existe Poder Judiciário.
O ministro disse que continuará tendo orgulho do Maranhão, do Nordeste e da Amazônia. Também afirmou aceitar o debate e as críticas, mas defendeu que manifestações que ofendem as leis, a dignidade e a decência sejam apontadas. Ao final, pediu textos “menos raivosos e mais consistentes”.
