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Falha de segurança envolveu assinatura digital vinculada ao Bradesco

Uma falha de segurança envolvendo um software legado do Bradesco trouxe à tona um problema sensível da cibersegurança moderna: o uso indevido de assinaturas digitais legítimas para a disseminação de malwares capazes de contornar antivírus. O caso, revelado por pesquisadores independentes e confirmado após questionamento…

banco bradesco (17)

Uma falha de segurança envolvendo um software legado do Bradesco trouxe à tona um problema sensível da cibersegurança moderna: o uso indevido de assinaturas digitais legítimas para a disseminação de malwares capazes de contornar antivírus. O caso, revelado por pesquisadores independentes e confirmado após questionamento da imprensa especializada, reacende o debate sobre riscos de sistemas desatualizados, mesmo quando pertencem a grandes instituições financeiras.

O banco afirmou que o software em questão, o Navegador Exclusivo Bradesco, já foi descontinuado e que não há registro de prejuízo ou impacto direto aos clientes. Ainda assim, especialistas alertam que o episódio expõe uma técnica sofisticada, cada vez mais explorada por cibercriminosos no Brasil.

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O que aconteceu no caso do Navegador Exclusivo Bradesco

O Navegador Exclusivo Bradesco era um browser baseado no Mozilla Firefox, voltado principalmente a clientes corporativos e de alta renda, com a promessa de oferecer um ambiente mais seguro para acesso ao internet banking. Segundo análises técnicas divulgadas por pesquisadores de segurança, o software deixou de receber atualizações por volta de 2016.

Essa defasagem abriu espaço para a exploração de uma vulnerabilidade conhecida desde 2017 no ecossistema Firefox, relacionada ao carregamento indevido de bibliotecas auxiliares do sistema (DLLs).

A exploração da assinatura digital

O ponto mais sensível do caso não foi apenas a falha técnica, mas o fato de o executável original do navegador possuir uma assinatura digital válida do Bradesco. Na prática, essa assinatura funciona como um selo de confiança reconhecido pelo sistema operacional Windows e por soluções antivírus.

Criminosos teriam se aproveitado disso para distribuir versões adulteradas do executável, capazes de carregar trojans bancários. Como o arquivo principal estava corretamente assinado, muitos antivírus não identificavam a ameaça de imediato.

O que é DLL Side-Loading e por que ele é perigoso

DLL Side-Loading é uma técnica na qual um software legítimo é induzido a carregar uma biblioteca maliciosa no lugar da original. Isso acontece quando o programa não valida corretamente a origem da DLL que está sendo executada.

Na prática, o ataque funciona assim:

  • o usuário executa um programa legítimo;
  • o sistema procura por arquivos auxiliares no mesmo diretório;
  • uma DLL maliciosa, com nome esperado pelo software, é carregada;
  • o código malicioso passa a rodar com a credibilidade do programa original.

Como explicou um pesquisador da área de segurança da informação, trata-se de um tipo de ataque que “herda” a confiança do software legítimo, aumentando drasticamente as chances de sucesso contra defesas tradicionais.

Houve vazamento de dados ou prejuízo a clientes?

Segundo o posicionamento oficial do Bradesco, não houve qualquer registro de prejuízo financeiro ou impacto direto aos usuários. O banco também informou que o Navegador Exclusivo foi descontinuado e que a orientação atual é utilizar navegadores amplamente adotados pelo mercado ou os aplicativos móveis oficiais.

Até o momento, não há indícios públicos de vazamento de dados de clientes causado diretamente por essa falha. Ainda assim, o risco está associado à distribuição de malwares bancários que podem capturar credenciais, senhas e informações financeiras se o usuário for infectado.

Por que assinaturas digitais não “expiram” automaticamente

Um ponto destacado por especialistas é que assinaturas digitais, quando acompanhadas de carimbo de tempo (timestamp), continuam válidas mesmo após a descontinuação do software. Isso significa que o executável pode circular indefinidamente em fóruns clandestinos e campanhas de phishing.

Na prática, é como um documento autenticado em cartório: mesmo que o cartório deixe de existir, a autenticação segue válida. Esse detalhe técnico dificulta a mitigação completa do problema apenas com a retirada do software do ar.

O que o caso revela sobre o cibercrime no Brasil

O episódio mostra como grupos criminosos brasileiros têm elevado o nível de sofisticação de suas campanhas. Relatos indicam o uso combinado de:

  • engenharia social;
  • distribuição de softwares piratas ou “ativadores” falsos;
  • domínios fraudulentos com nomes de grandes marcas;
  • malwares bancários capazes de sobrepor telas e capturar dados.

Esse tipo de ataque explora tanto falhas técnicas quanto o comportamento do usuário, tornando a prevenção um desafio constante.

Como o usuário pode se proteger na prática

Mesmo quando não há falha direta no banco, o usuário continua sendo um elo importante da cadeia de segurança. Algumas medidas seguem sendo fundamentais no cenário atual brasileiro:

  • manter o sistema operacional e aplicativos sempre atualizados;
  • evitar o uso de softwares antigos ou descontinuados;
  • baixar programas apenas de fontes oficiais;
  • desconfiar de mensagens com links urgentes ou promessas exageradas;
  • utilizar autenticação em dois fatores, preferencialmente por aplicativo;
  • manter antivírus ativo em computadores e smartphones;
  • trocar senhas periodicamente, especialmente de serviços bancários.

Essas práticas não eliminam totalmente o risco, mas reduzem significativamente a superfície de ataque explorada por criminosos.

O papel das instituições financeiras após o incidente

Casos como esse reforçam a importância de políticas rigorosas de descontinuação de softwares, revogação de certificados digitais quando possível e comunicação clara com os clientes. Também evidenciam a necessidade de auditorias contínuas em sistemas legados, que muitas vezes permanecem ativos mais tempo do que deveriam.

Embora o Bradesco afirme ter adotado todas as medidas de proteção necessárias, o episódio serve de alerta para todo o setor financeiro e para usuários que ainda confiam em soluções antigas como sinônimo de segurança.

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