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Ex-presidente da Apex Partners questiona critérios da recuperação judicial

A defesa questiona a inclusão de empresas no processo e pede análise individual das sociedades; a dívida líquida consolidada teria mais que dobrado desde janeiro de 2025.

Ex-presidente da Apex Partners questiona critérios da recuperação judicial

Fernando Cinelli, fundador e ex-presidente da Apex Partners, pediu à Justiça do Espírito Santo que examine individualmente a situação das empresas incluídas na recuperação judicial do grupo. Em manifestação protocolada em 9 de outubro, ele também propôs uma mediação independente para tratar de conflitos societários.

Cinelli afirma não ser contrário à reestruturação financeira, mas sustenta que o processo precisa cumprir as exigências legais e esclarecer quais sociedades devem participar. A dívida bruta preliminar do grupo foi estimada em R$ 985,6 milhões.

O pedido de recuperação chegou a abranger 148 empresas. Em 7 de outubro, a companhia solicitou a exclusão de 39, mas, segundo Cinelli, não explicou suficientemente os critérios adotados. A defesa afirma que algumas sociedades ainda não comprovaram os requisitos legais, incluindo o tempo mínimo de atividade.

Documentos citados na manifestação apontam pendências relativas ao período mínimo de atividade para 20 sociedades. Também registram que 107 empresas não têm empregados e 72 não possuem credores sujeitos aos efeitos da recuperação. A defesa ressalta que essas condições, por si só, não impedem necessariamente a participação no processo, mas argumenta que devem ser consideradas.

A petição ainda questiona autorizações societárias apresentadas após o ajuizamento, assinadas pela administração interina. Para a defesa, é necessário verificar os poderes de quem praticou os atos e as regras de aprovação aplicáveis a cada empresa. Cinelli detém 31,8% da principal holding controladora, cujo estatuto prevê aprovação de 75% para determinadas decisões, entre elas a recuperação judicial.

O fundador foi afastado da presidência em 5 de agosto de 2026, após auditoria interna apontar inconsistências contábeis e administrativas. Ele nega desvios em benefício próprio e diz que as decisões financeiras eram colegiadas. A administração atual atribuiu à gestão anterior responsabilidades pela deterioração financeira e levantou suspeitas sobre movimentações de recursos.

O levantamento preliminar indica endividamento líquido consolidado de cerca de R$ 985 milhões, ante aproximadamente R$ 413 milhões em janeiro de 2025. Entre as obrigações estão R$ 452,1 milhões em debêntures, R$ 309,8 milhões ligados a produtos e compromissos com clientes e R$ 201,7 milhões em crédito bancário. Os valores abrangem categorias que precisam ser conciliadas para evitar sobreposição.

A administração relatou mais de 290 movimentações consideradas suspeitas, entre R$ 23 milhões e R$ 28 milhões. A manifestação de Cinelli busca discutir os requisitos para o avanço da recuperação, sem pedir o encerramento definitivo da tentativa de reestruturação.