Um estudo da Universidade de Parma, na Itália, sugere que cães aumentam a frequência das próprias piscadas ao assistir a pessoas piscando, principalmente quando o rosto exibido é o de seu tutor. A pesquisa foi publicada na revista Royal Society Open Science.
O experimento analisou 35 cães de diferentes raças. Cada animal assistiu a vídeos de 40 segundos com três pessoas: o tutor, um homem desconhecido e uma mulher desconhecida. Em parte das gravações, os participantes piscavam aproximadamente uma vez a cada três segundos. Nos demais vídeos, mantinham o olhar direcionado à câmera sem piscar.
As sessões foram gravadas para permitir a contagem das piscadas dos cães. A frequência aumentou quando os animais assistiram aos vídeos com humanos piscando, mas o efeito foi significativo apenas nas imagens dos tutores. A diferença não foi explicada simplesmente por os cães olharem por mais tempo para essas pessoas.
Não houve imitação precisa
As pesquisadoras Chiara Canori e Eleonora Biffi também verificaram se os animais copiavam o movimento. Para isso, observaram se uma piscada ocorria até 1,5 segundo depois de uma piscada humana. Não foi encontrada sincronização significativa, nem diante dos tutores nem dos desconhecidos.
Segundo o estudo, o aumento pode estar relacionado à atenção provocada pelo movimento facial, a uma imitação automática ou a outros processos sociais. As autoras ressaltam que o experimento não permite definir qual explicação é correta.
A pesquisa também não atribui um significado único às piscadas, que têm função fisiológica de proteger e lubrificar os olhos. Os resultados apenas indicam que a familiaridade e o contexto social podem influenciar a reação dos cães a sinais visuais.
