Pesquisadores observaram mudanças em células mamárias após mulheres substituírem produtos de limpeza por versões com menos substâncias químicas. Os resultados, publicados na revista Chemosphere, não comprovam que cosméticos causem câncer de mama e indicam a necessidade de novas investigações.
O estudo foi conduzido por pesquisadores do California Pacific Medical Center Research Institute, nos Estados Unidos. Em meados de 2023, a equipe acompanhou mulheres saudáveis que usavam regularmente produtos de limpeza. Algumas participantes trocaram os itens habituais por versões com menos substâncias químicas durante 28 dias.
Antes e depois do período, foram coletadas amostras de urina, sangue e células mamárias. Os níveis de parabenos na urina diminuíram após a troca dos produtos, e os cientistas identificaram alterações em processos relacionados à morte celular. Os achados não estabelecem causalidade entre a exposição aos compostos e o câncer.
Absorção varia conforme o produto
Durante um congresso realizado em São Paulo na quinta-feira, 22 de outubro, a dermatologista Patrícia Silveira afirmou que a absorção pela pele depende do ingrediente, da concentração aplicada e da região do corpo. Segundo ela, áreas diferentes podem absorver quantidades distintas, e a entrada de substâncias também ocorre por folículos e glândulas.
Parabenos são conservantes usados para impedir a proliferação de bactérias e fungos. Alguns apresentam atividade semelhante à do estrogênio, hormônio que pode estimular o crescimento de células e lóbulos mamários. Essa característica é objeto de estudos, mas não comprova que o uso de cosméticos provoque a doença.
A Be Clean, organizadora do encontro, desenvolveu um aplicativo que identifica rótulos com base em estudos e relatórios científicos e alerta sobre a toxicidade dos produtos. Especialistas presentes defenderam a consulta à composição como forma de apoiar escolhas mais informadas, sem afirmar que a simples presença de parabenos represente um risco comprovado para cada consumidor.
O câncer de mama é o tipo mais frequente entre mulheres brasileiras, com 66,54 casos por 100 mil. O Instituto Nacional de Câncer de Mama projeta 781 mil novos diagnósticos até 2028, cerca de 5 mil por ano a mais que no ciclo anterior.

