Estudo alerta para desaparecimento de plantas no mundo e mostra que a crise climática também ameaça espécies silenciosas

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As mudanças no clima já são percebidas em diferentes partes do planeta, com efeitos que vão além do aumento de temperatura e eventos extremos. Aos poucos, cientistas vêm observando impactos menos visíveis, mas igualmente preocupantes, que atingem diretamente a base dos ecossistemas.

Embora muitas vezes passem despercebidas no debate público, algumas formas de vida têm papel essencial no funcionamento da natureza e na produção de alimentos. A atenção recente de pesquisadores indica que essas espécies podem estar mais vulneráveis do que se imaginava.

Estudos mostram risco real de extinção de plantas até o fim do século

Levantamentos publicados na revista científica Science indicam que a crise climática pode levar ao desaparecimento de uma parcela significativa das plantas existentes no planeta. As análises foram conduzidas por pesquisadores como Rosa Scherson e Federico Luebert, ligados à Universidade do Chile.

De acordo com os dados reunidos, entre 7% e 16% das espécies vegetais podem deixar de existir até o ano de 2100. Esse cenário considera diferentes níveis de emissão de gases e aponta para um risco crescente conforme o aquecimento global avança.

Em termos práticos, isso representa a perda de dezenas de milhares de espécies. Estimativas indicam que entre 35 mil e 50 mil tipos de plantas podem desaparecer nas próximas décadas, o que preocupa especialistas por causa do impacto direto na biodiversidade.

Além da perda em número, os pesquisadores destacam que muitas dessas plantas são fundamentais para cadeias alimentares, produção agrícola e equilíbrio ambiental, o que amplia as consequências para a vida humana.

Redução de habitats e dificuldade de adaptação aumentam o problema

Um dos principais fatores por trás desse cenário é a mudança nas condições naturais onde as plantas conseguem sobreviver. Com o aumento das temperaturas e alterações no regime de chuvas, muitas espécies perdem espaço para se desenvolver.

Mesmo aquelas que tentam se adaptar ou migrar para outras regiões enfrentam dificuldades. Os ambientes adequados estão ficando cada vez mais escassos, o que limita as chances de sobrevivência ao longo do tempo.

Segundo uma das pesquisas analisadas, diversas espécies podem perder até 90% do seu habitat original. Esse nível de perda torna praticamente inviável a manutenção dessas plantas na natureza.

Outro ponto importante é que nem todas conseguem se deslocar com facilidade. Diferente dos animais, muitas plantas dependem de condições muito específicas para crescer, o que torna a adaptação ainda mais lenta.

Perda vai além das plantas e afeta milhões de anos de evolução

Outro estudo, liderado por Felix Forest, do Jardim Botânico de Kew, trouxe um olhar diferente sobre o problema. Em vez de focar apenas no número de espécies, os pesquisadores analisaram o impacto na história evolutiva das plantas.

Os dados mostram que cerca de 21,2% da evolução das plantas com flores pode desaparecer. Isso significa que linhagens inteiras, construídas ao longo de milhões de anos, podem deixar de existir de forma definitiva.

Esse tipo de perda é considerado ainda mais grave, porque não pode ser recuperado. Quando uma espécie única desaparece, ela leva consigo características genéticas e adaptações que não existem em nenhum outro organismo.

Os especialistas alertam que esse processo pode representar a eliminação de bilhões de anos de história evolutiva acumulada, o que reduz a diversidade e enfraquece a resiliência dos ecossistemas.

Impactos podem atingir alimentação, economia e equilíbrio ambiental

A possível redução de espécies vegetais não afeta apenas a natureza, mas também atividades humanas que dependem diretamente dessas plantas. Agricultura, produção de medicamentos e até a qualidade do ar podem ser impactadas.

Muitas plantas têm papel fundamental na cadeia alimentar, servindo de base para outros organismos. Quando elas desaparecem, todo o sistema ao redor pode ser afetado, causando efeitos em cascata.

Além disso, a vegetação ajuda a regular o clima, manter o solo saudável e garantir a disponibilidade de água. A redução dessas espécies pode agravar ainda mais os efeitos das mudanças climáticas.

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