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Estados Unidos surpreendeu e rompeu acordo com a França

Nesta terça-feira (27), os Estados Unidos oficializaram a saída de um dos principais tratados internacionais sobre meio ambiente: o Acordo de Paris. Sob o comando de Donald Trump, o país abandonou o pacto pela segunda vez, cumprindo uma promessa anunciada logo após o retorno do…

Nesta terça-feira (27), os Estados Unidos oficializaram a saída de um dos principais tratados internacionais sobre meio ambiente: o Acordo de Paris. Sob o comando de Donald Trump, o país abandonou o pacto pela segunda vez, cumprindo uma promessa anunciada logo após o retorno do republicano à Casa Branca, em 20 de janeiro. Firmado em 2015, em Paris, o acordo tem a França como país-sede e articulador diplomático, razão pela qual a decisão americana foi interpretada como um rompimento direto com a política climática defendida pelos franceses e pela União Europeia.

Com a retirada, os Estados Unidos passam a integrar um grupo extremamente reduzido de países fora do tratado, ao lado de Irã, Líbia e Iêmen. A medida marca um endurecimento da postura americana em relação ao primeiro mandato de Trump (2017–2021). Além de sair novamente do Acordo de Paris, o governo comunicou formalmente a retirada da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), estrutura que organiza e viabiliza as negociações climáticas globais.

Na prática, a decisão retira os Estados Unidos de todas as mesas multilaterais sobre clima, incluindo conferências, mecanismos de financiamento e metas conjuntas de redução de emissões de gases de efeito estufa.

Reação internacional e impactos políticos

A decisão gerou críticas imediatas de especialistas e organizações ambientais. Basav Sen, diretor do projeto de justiça climática do Institute for Policy Studies, afirmou ao jornal britânico The Guardian que a mensagem enviada pelo governo americano é de descompromisso absoluto com a cooperação internacional. Segundo ele, os EUA assumem conscientemente o papel de antagonista nas negociações globais.

Analistas apontam que a saída compromete diretamente o financiamento climático internacional, já que os Estados Unidos eram um dos principais contribuintes de fundos destinados a ajudar países em desenvolvimento na transição para matrizes energéticas menos poluentes. Sem esses recursos, projetos de adaptação climática e mitigação de emissões tendem a ser reduzidos ou adiados.

A decisão também contrasta com dados da própria economia americana. No ano passado, mais de 90% da nova capacidade instalada de geração de energia no país veio de fontes renováveis, como solar e eólica, impulsionadas principalmente pelo setor privado e por políticas estaduais.

Além da agenda ambiental, o governo Trump aprofundou o movimento de afastamento de organismos multilaterais. Na semana anterior, os Estados Unidos formalizaram a saída da Organização Mundial da Saúde (OMS), deixando uma dívida de aproximadamente US$ 260 milhões em contribuições obrigatórias, o que agravou a crise financeira da entidade.