# Escritoras do Cariri resgatam vozes de mulheres e crianças na literatura

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- Published: 2026-10-29T05:45:00-03:00
- Author: Felip trends

Escritoras do Cariri cearense exploram diferentes gêneros literários para colocar
no centro de suas obras histórias e personagens que, muitas vezes, não têm espaço
nas narrativas. As trajetórias de Dia Bárbara Nobre, Zulmira Correia e Aline Bussons
foram destacadas no Dia Nacional do Livro, celebrado nesta quinta-feira (29), em
homenagem à fundação da Biblioteca Nacional, em 1810.

Historiadora nascida em Juazeiro do Norte, Dia Bárbara Nobre pesquisou documentos
da historiografia cearense e encontrou Maria de Araújo, figura central do Cariri
com pouca presença nos livros. A pesquisa deu origem a “Incêndios da Alma”, obra
que se tornou referência para estudiosos do catolicismo popular na região.

Em 2025, a autora publicou seu primeiro romance, “Boca do Mundo”, sobre mulheres
que sofrem violência doméstica e a força de sua união. Nobre afirma que a ficção
lhe permitiu imaginar as vozes dessas personagens e retratar um sertão inspirado
em suas experiências no Ceará e em Pernambuco, onde morou por nove anos.

## Memória e infância

Zulmira Correia prepara o lançamento de “Água-ventre”, previsto para novembro. O
livro reúne personagens femininas inspiradas em pessoas que atravessaram a vida 
da escritora, nascida na zona rural do Crato. A obra surgiu de uma exposição com
arquivos sonoros, fotográficos e textuais sobre memória matriarcal e território,
tendo como referência as águas da Chapada do Araripe. Segundo Correia, o título 
combina narrativas sobre água e nascimento; o livro mescla poesia e outros gêneros.

Na literatura infantil, Aline Bussons usa animais como protagonistas para abordar
temas como respeito, diferenças e autonomia. Em “Uma baleia muito esperta”, a personagem
Roberta é curiosa; “O Hipopótamo que tinha ideias demais” acompanha Everardo e suas
ideias criativas. A escritora também trabalha em uma autoficção sobre sua infância
em Missão Velha, quando fazia catecismo.

Pesquisadora e doutora em Letras da Universidade Federal do Ceará, Luciana Bessa
define a literatura como uma “arte política”. Para ela, a linguagem não é neutra:
autores a constroem com intenção e podem levar leitores a refletir sobre as mensagens
das obras.
