# Entidades da indústria e trabalhadores consideram tímido corte da Selic

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- Published: 2026-09-17T04:32:06-03:00
- Author: Felip trends

Representações da indústria e dos trabalhadores avaliaram como insuficiente a redução
de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, a Selic. Anunciada nesta quarta-
feira (16) pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), a decisão
levou a taxa de 14% para 13,75% ao ano.

Para as entidades, o corte não alivia de forma significativa a situação financeira
de empresas e famílias. A decisão representa a quinta redução consecutiva da Selic.

## Indústria cobra continuidade

Em nota, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) afirmou que o Copom demonstrou
excesso de prudência diante da queda da inflação corrente nos últimos meses. A entidade
citou a desaceleração dos preços, que alcançou 4,22% no acumulado de 12 meses até
agosto, além da melhora das expectativas de mercado e da convergência gradual para
a meta de 3% ao ano.

O presidente da CNI, Ricardo Alban, considerou importante a manutenção do ciclo 
de redução. Segundo ele, manter a Selic em nível restritivo por período prolongado
impõe à economia um custo maior do que o necessário para assegurar a estabilidade
de preços.

A confederação também declarou que a política monetária continua austera. Com a 
taxa em 13,75% ao ano, o juro real está em torno de 9%, cerca de quatro pontos percentuais
acima da taxa real neutra estimada pelo Banco Central, de 5% ao ano.

## Centrais sindicais criticam ritmo

A Central Única dos Trabalhadores (CUT) classificou a queda como um passo importante,
mas insuficiente diante do nível dos juros no país. Neiva Ribeiro, presidenta do
Sindicato dos Bancários de São Paulo e diretora executiva da CUT, afirmou que a 
Selic influencia diretamente empréstimos e financiamentos e que cortes podem abrir
espaço para uma trajetória de crédito mais barato.

A Força Sindical também considerou a redução muito tímida e um “balde de água fria”
para a economia no quarto trimestre. Para a central, juros elevados reduzem o consumo
das famílias, enfraquecem a confiança dos empresários e desestimulam investimentos.

## Construção pede novos cortes

A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) avaliou positivamente a decisão,
mas defendeu a continuidade do movimento. O presidente da entidade, Eduardo Almeida,
destacou que a Selic permanece elevada e impõe desafios a um setor dependente de
crédito e com ciclo produtivo longo.
