Enfermeira é condenada por homicídio após aplicar injeção letal em amante no Ceará

Justiça aplica pena máxima após crime cometido durante plantão em hospital; vítima era colega de trabalho e mantinha relação com a condenada

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A enfermeira Nara Priscila Carneiro foi condenada a 28 anos de prisão pela morte do também enfermeiro Ramam Cavalcante Dantas. O crime ocorreu em julho de 2017, em um hospital particular localizado no Centro de Fortaleza. A sentença foi proferida nesta quinta-feira (29) pelo Conselho de Sentença da 2ª Vara do Júri da Capital.

De acordo com o Ministério Público do Ceará (MPCE), a motivação teria sido evitar que a vítima assumisse a paternidade de uma criança, fruto do relacionamento extraconjugal que mantinha com a acusada. Ambos trabalhavam na mesma unidade hospitalar e, conforme apuração, a relação entre os dois durava aproximadamente um ano e nove meses.

Dinâmica do crime em ambiente hospitalar

Segundo as investigações, Nara utilizou cloreto de potássio em uma injeção letal para causar a morte de Ramam. O caso, inicialmente, foi tratado como um possível suicídio. No entanto, o avanço das apurações revelou indícios contrários a essa hipótese.

Imagens de câmeras de segurança mostraram que os dois profissionais de saúde entraram juntos em uma sala da Unidade de Cuidados Especiais (UCE), onde a enfermeira exercia a chefia. Após alguns minutos, apenas Nara foi registrada deixando o local. A chave da sala, conforme depoimentos colhidos, estava sob responsabilidade da acusada, que também detinha acesso exclusivo aos medicamentos hospitalares.

Evidências e laudos confirmam autoria

Ainda de acordo com o Ministério Público, os laudos periciais realizados no decorrer do inquérito indicaram a presença de um perfil genético feminino no frasco utilizado para administrar a substância letal. O resultado técnico reforçou a tese acusatória e foi um dos elementos que sustentaram a condenação.

Além das provas técnicas, testemunhas apontaram o acesso restrito da profissional à medicação utilizada no crime. O conjunto de elementos levou o Conselho de Sentença a acolher a denúncia oferecida, culminando na aplicação da pena privativa de liberdade.

Consequências profissionais e decisão ética

Além da pena de prisão, a enfermeira também foi impedida de exercer sua profissão por um período de 30 anos. A decisão foi proferida pelo Conselho Regional de Enfermagem do Ceará (Coren-CE), com base nos artigos do Código de Ética da Enfermagem. O órgão considerou que as condutas praticadas feriram os princípios da profissão e os preceitos éticos exigidos pela categoria.

A Justiça já havia determinado, ainda em abril deste ano, que a acusada fosse submetida a julgamento popular, atendendo à solicitação do Ministério Público.

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