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Empresa do setor de carnes encerra atividades em meio à crise e demite funcionários

A indústria de carne bovina dos Estados Unidos atravessa um dos momentos mais delicados das últimas décadas. A combinação de fatores climáticos, redução do rebanho e custos elevados tem afetado desde produtores rurais até grandes empresas do setor. Com menos animais disponíveis para abate e…

A indústria de carne bovina dos Estados Unidos atravessa um dos momentos mais delicados das últimas décadas. A combinação de fatores climáticos, redução do rebanho e custos elevados tem afetado desde produtores rurais até grandes empresas do setor.

Com menos animais disponíveis para abate e margens cada vez mais apertadas, frigoríficos passaram a rever operações. O impacto já aparece na produção, no comércio internacional e no emprego, com reflexos dentro e fora do país.

Empresa de carnes, Cargill, encerra fábrica e corta mais de 200 postos de trabalho

Em meio a esse cenário, a Cargill anunciou o fechamento definitivo de sua unidade de processamento de carne bovina em Milwaukee, no estado de Wisconsin. A decisão resultará na eliminação de 221 empregos.

A produção na planta será interrompida gradualmente. Parte das atividades deve parar já em abril, com encerramento total previsto até o fim de maio, conforme comunicado às autoridades trabalhistas locais.

A unidade era especializada na produção de carne bovina fresca, carne moída e itens processados. Não realizava o abate de animais. Segundo a empresa, parte da produção será transferida para outras fábricas na América do Norte, e alguns funcionários poderão ser realocados.

A Cargill justificou o fechamento como um ajuste estratégico para alinhar suas operações à atual demanda do mercado e priorizar investimentos em outras áreas. A medida ocorre em um momento de forte pressão sobre toda a cadeia produtiva.

A empresa é uma das maiores companhias privadas do mundo, com mais de 159 anos de história. Fundada em 1865 nos Estados Unidos, atua globalmente no setor de agricultura, alimentos e nutrição. Está presente em diversos países e emprega cerca de 155 mil pessoas. No Brasil, onde opera desde 1965, mantém unidades industriais, terminais portuários e serviços financeiros voltados ao produtor rural.

Rebanho no menor nível em 75 anos pressiona setor

A decisão da empresa acontece em meio a uma escassez histórica de gado nos Estados Unidos. O rebanho bovino do país está no menor patamar em 75 anos, segundo dados do Departamento de Agricultura dos EUA.

Desde 2019, o número de cabeças caiu cerca de 13 por cento, chegando a aproximadamente 27,9 milhões. Esse é o menor volume registrado desde 1952.

Entre os principais fatores que explicam essa redução estão:

• Seca prolongada nas regiões produtoras do oeste americano
• Aumento nos custos com ração
• Liquidação de parte dos rebanhos por produtores para reduzir despesas

Com menos animais disponíveis, a oferta de carne diminui. A recomposição do rebanho é lenta, já que o ciclo pecuário leva cerca de dois a três anos entre o nascimento do bezerro e o abate.

Em 2025, a produção de carne bovina dos Estados Unidos recuou 4 por cento, totalizando 11,8 milhões de toneladas. Para 2026, a previsão é de leve recuperação para 11,76 milhões de toneladas, impulsionada por maior peso médio das carcaças e aumento no ritmo de abate. Ainda assim, a oferta continua restrita.

Diante da escassez interna, o país ampliou as importações. A expectativa é que as compras externas de carne bovina alcancem 2,53 milhões de toneladas em 2026. Em fevereiro, o então presidente Donald Trump assinou uma ordem executiva para ampliar as importações da Argentina, com tarifas reduzidas, como forma de aliviar a pressão sobre o mercado doméstico.

Ao mesmo tempo, os preços do boi subiram cerca de 20 por cento entre 2024 e 2025. Mesmo com valores mais altos ao consumidor, frigoríficos enfrentam margens apertadas, já que pagam mais caro pela matéria prima.

O fechamento da unidade da Cargill não é um caso isolado. Empresas como JBS e Tyson Foods também anunciaram encerramento ou redução de atividades em fábricas nos últimos meses.

O cenário aponta para uma reestruturação da indústria frigorífica americana, marcada por oferta limitada de gado, custos elevados e necessidade de ajustes operacionais. Esse movimento também cria oportunidades para países exportadores, como Brasil e Argentina, ampliarem sua participação no mercado norte americano em um momento de instabilidade produtiva nos Estados Unidos.

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