# Em campanha pela reeleição, Lula quer trazer de volta os trabalhadores ao Partido dos Trabalhadores

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- Published: 2026-08-17T00:18:56-03:00
- Author: Felip trends

Luiz Inácio Lula da Silva lança sua [campanha](https://nordeste7.com.br/lula-volta-ao-berco-politico-para-abrir-campanha-pelo-quarto-mandato-neste-domingo/)
de [reeleição](https://nordeste7.com.br/com-popularidade-em-queda-lula-desafia-adversarios-quem-quiser-disputar-tem-que-me-enfrentar-na-rua/)
em São Bernardo do Campo (REUTERS/Adriano Machado)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deu início neste domingo à sua última
campanha pela Presidência no exato local de onde liderou as greves que o lançaram
na vida política nacional. Mas com um novo desafio: **conquistar **uma geração de**
[trabalhadores](https://nordeste7.com.br/um-novo-feriado-foi-aprovado-no-brasil-e-cria-um-folgao-de-4-dias-para-os-trabalhadores/)**
com pouca ligação com os sindicatos e o chão de fábrica, que já foram a espinha 
dorsal do seu **[Partido](https://nordeste7.com.br/casos-de-sindrome-do-coracao-partido-mostram-como-estresse-intenso-pode-afetar-o-coracao/)
dos Trabalhadores**.

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Aos 80 anos, na sua sétima campanha presidencial, Lula sabe que o movimento que 
liderou há quase 50 anos reunindo milhares de trabalhadores no **Estádio 1º de Maio**,
na Vila Euclides, em **São Bernardo do Campo **(SP), para lutar pelos direitos dos
trabalhadores, praticamente desapareceu.

“Obrigado a vocês trabalhadores e trabalhadoras desse país que um dia tiveram consciência
de apostar que um igual a vocês é capaz de fazer mais por vocês do que um diferente
de vocês”, afirmou Lula neste domingo a uma multidão de cerca de 20 mil apoiadores,
muitos vestindo o vermelho associado ao PT.

Hoje, seu governo e seu partido enfrentam dificuldades para encontrar pontos em 
comum com uma geração de trabalhadores para a qual a estabilidade do emprego formal
não é a norma – e, em muitos casos, nem mesmo é desejada.

“Houve uma mudança substancial no mundo do trabalho”, disse Lula em um dos muito
discursos em que reconheceu essas dificuldades. “E nós, então, precisamos adequar
o nosso discurso ao mundo do trabalho, que não é só a carteira profissional assinada.”

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Para a eleição de outubro, o PT tenta alcançar esses novos trabalhadores com uma
campanha pela redução da jornada de trabalho com o **fim da chamada escala 6×1 **
e buscando novas proteções para trabalhadores de aplicativos, incluindo regras sobre
remuneração, condições de trabalho, benefícios previdenciários e algoritmos das 
plataformas.

A resistência das empresas tem impedido a maior parte desses esforços até agora,
e milhões de trabalhadores de aplicativos, em sua maioria homens jovens, parecem
céticos em relação à intervenção governamental. Esse é um grupo eleitoral que o 
principal rival de Lula pela Presidência, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), está
pronto para disputar.

**A economia da bicos**

No centro do dilema de Lula está o crescimento dos empregos fora do sistema formal
de trabalho que garante aos trabalhadores uma série de direitos trabalhistas e benefícios
previdenciários. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)
mostram que, embora o número de pessoas ocupadas no país tenha crescido, o emprego
formal tornou-se menos comum.

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Em dezembro de 2010, quando Lula concluiu seu segundo mandato, a taxa de desemprego
estava em 5,3% e 46,7% dos trabalhadores tinham empregos formais. Em dezembro de
2025, o desemprego havia caído para 5,1% – o menor nível já registrado -, mas a 
proporção de trabalhadores no regime CLT havia caído para 38,2%.

“Que futuro que você quer se você não investir no emprego?”, perguntou Lula a seus
apoiadores. “Nós criamos 10 milhões e cem mil empregos formais nesses últimos três
anos e meio. Isso é pensar no futuro.”

Darlan Almeida, de 27 anos, já foi CLT, mas há sete anos trabalha fazendo entregas
por aplicativos em São Bernardo do Campo, onde nasceu. Sua conta é simples: um emprego
CLT lhe pagaria em torno de R$3 mil. Nos aplicativos, diz, ganha cerca de R$8 mil
e fica com em torno de R$5,5 mil depois das despesas com a moto.

Filho de nordestinos, Darlan conta que seu pai, que chegou à cidade durante o auge
da industrialização do ABC Paulista, na década de 1970, era operário de uma fábrica
e admirador de Lula até falecer.

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“Ele contava que naquela época as fábricas andavam com carro nas ruas chamando as
pessoas para trabalhar. Hoje não existe mais isso”, disse.

O filho não herdou a admiração pelo presidente e diz que não pensa muito em política.
Preocupa-se com melhorias na vida dos entregadores, mas tem dúvidas sobre as propostas
do governo.

“Eles não sabem do que a gente precisa nem como a gente trabalha. Deveriam passar
um dia com a gente nas ruas”, afirmou.

Almeida é um dos 2,1 milhões de brasileiros que trabalham por meio de plataformas
digitais, uma força de trabalho que cresceu 170% entre 2015 e 2025, segundo estimativa
do Banco Central baseada em dados da Pnad Contínua.

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O motorista Eduardo Marini Filho, de 51 anos, diz que o que mais o atrai é a flexibilidade
do trabalho, e não as proteções associadas ao emprego formal. Depois de passar a
maior parte de sua carreira em empregos temporários, ele afirma não ter intenção
de retornar ao mercado de trabalho tradicional.

Eleitor de direita, Marini reclama das condições de trabalho nas plataformas, mas
também faz eco a uma crítica comum à regulamentação governamental, argumentando 
que as regras propostas ameaçam a autonomia dos trabalhadores.

“Se impuserem uma exigência mínima de tarifa, como o governo quer, acho que a Uber
vai sair do país”, disse ele.

Pesquisadores afirmam que o surgimento desse grupo reflete mudanças econômicas mais
amplas. Oswaldo Amaral, do Centro de Estudos de Opinião Pública da Universidade 
de Campinas, diz que o aumento do desemprego durante a recessão de 2015-2016 no 
Brasil levou muitos trabalhadores a empregos informais e, por fim, às plataformas
digitais.

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“Com o surgimento da economia de plataforma, surgiu um novo tipo de trabalhador 
autônomo que, muitas vezes, acredita ser seu próprio empresário. Isso os leva a 
defender que não precisam do governo, que o governo apenas atrapalha e que seus 
próprios esforços são suficientes para ter sucesso”, afirmou.

Essa visão, explica, acaba empurrando esses trabalhadores ainda mais para a direita,
que tradicionalmente defende a ideia de um Estado menor.

Uma pesquisa encomendada ao instituto Datafolha em 2023 pela Uber e o Ifood mostrou
que 40% dos motoristas se classificam como de direita, 40% como de centro e apenas
20%, de esquerda.

**Crise de identidade**

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Lula tentou regulamentar o trabalho por aplicativos em 2024, mas os esforços perderam
força diante da resistência das grandes empresas de tecnologia e do aumento da desconfiança
dos trabalhadores. O governo voltou a tentar neste ano, mas não houve ainda um acordo
com o Congresso.

Para o partido que nasceu para representar os trabalhadores, adaptar-se a essa realidade
tem se mostrado difícil.

“O PT surgiu de um movimento sindical intimamente ligado ao emprego formal e à relação
empregador-empregado. Os trabalhadores de aplicativos, no entanto, não se encaixam
nesse quadro: não são nem empregados nem empregadores. O PT não tinha uma mensagem
adaptada a esse grupo”, disse Marco Teixeira, professor de ciências políticas da
Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo. “O objetivo agora é compreender essa nova
face do capitalismo.”

Uma pesquisa encomendada pelo PT e realizada pelo instituto de pesquisa Vox Populi
em junho do ano passado, analisada pela Reuters, ressalta as contradições desse 
grupo, que quer se manter independente, mas também quer direitos.

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De acordo com o levantamento, 65% dos entrevistados afirmaram que gostariam de se
tornar empreendedores, enquanto apenas 27,5% disseram que prefeririam um emprego
formal. No entanto, 56% afirmaram que ter direitos trabalhistas era “muito importante”.

Entre as medidas citadas como as mais importantes para melhorar as condições de 
trabalho estavam o adicional de periculosidade, os adicionais por doença e acidente
e um piso salarial mínimo.

**Procura-se ajuda**

Após sete anos dirigindo para a Uber, Rogério do Santo, de 43 anos, está procurando
novamente um emprego formal. Ele afirma que as tarifas baixas reduziram seus ganhos,
enquanto a falta de representação organizada deixa os motoristas com pouca capacidade
de pressionar por condições melhores.

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“Não temos ninguém do nosso setor para nos representar e buscar melhorias ou benefícios
em nosso nome”, afirmou.

Suas queixas indicam um possível caminho para o PT reconquistar pessoas como ele.
Muitos trabalhadores informais rejeitam os rótulos de empregado ou sindicalizado,
mas ainda desejam maior proteção.

A taxa de sindicalização no Brasil praticamente caiu pela metade na última década,
recuando para 8,9% em 2024, ante 15,7% em 2014, segundo os dados oficiais mais recentes.
Dados da pesquisa feita pelo PT mostram uma ambivalência em relação à organização
coletiva. Quase 40% dos entrevistados afirmaram que ter seu próprio sindicato seria
benéfico, mas uma porcentagem igual afirmou que não se filiaria a um.

O presidente do PT, Edinho Silva, considera que os sindicatos e as organizações 
políticas continuam desconectados dos trabalhadores de plataformas porque ainda 
atuam com base na lógica do emprego formal.

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“O movimento sindical e as organizações de esquerda não estão conseguindo abordar
as condições de trabalho desses trabalhadores. Não estão dialogando com eles, não
estão organizando-os e não estão presentes em seu dia a dia”, disse, argumentando
que as cooperativas poderiam oferecer um caminho para a organização do setor.

A questão continua sendo central para a estratégia política do PT, que busca reconstruir
laços com uma classe trabalhadora cada vez mais moldada pelas plataformas digitais,
em vez das linhas de montagem.

“Queremos estabelecer um sistema para proteger os trabalhadores da economia digital
e das plataformas, que regule adequadamente a atividade empresarial e defina as 
regras para a relação de trabalho, remuneração, condições de trabalho, proteções
e direitos trabalhistas e previdenciários, além da transparência algorítmica”, afirmou
o partido em sua plataforma de governo divulgada nesta semana.

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