O agricultor Mehmet Emin Sualp encontrou um mosaico romano praticamente intacto enquanto preparava um terreno para plantar cerejeiras na vila de Salkaya, no leste da Turquia. A peça permaneceu preservada sob cerca de meio metro de terra por aproximadamente 1.700 anos.
A descoberta ocorreu quando o equipamento usado na preparação do solo atingiu uma superfície rígida. Ao remover parte da terra, o agricultor percebeu que havia pequenas pedras coloridas formando desenhos e interrompeu o trabalho para comunicar as autoridades responsáveis pelo patrimônio arqueológico.
Escavações realizadas após o achado revelaram que o painel ocupa cerca de 84 metros quadrados e permaneceu preservado quase por completo. A condição é incomum, devido ao tamanho e ao estado de conservação da obra.
Painel ajuda a reconstruir a história da região
Análises indicam que o mosaico foi produzido entre os séculos III e IV, período de transição entre o domínio romano e o início da era bizantina. Os arqueólogos acreditam que ele decorava uma residência de alto padrão ou um espaço destinado a receber visitantes, o que sugere vínculo com uma família de posição social elevada.
Entre as imagens identificadas estão cenas de caça e representações de animais que habitavam a antiga Anatólia, região correspondente a grande parte da Turquia atual.
Um dos destaques é a presença do leopardo-da-Anatólia, espécie hoje ameaçada, que fornece pistas sobre a fauna existente na época.
A equipe responsável também localizou outras estruturas enterradas nas proximidades. Entre elas estão vestígios de construções, um trecho de estrada pavimentada com blocos de basalto, um canal de irrigação, áreas possivelmente usadas para produção de vinho e moedas dos períodos romano e bizantino. Em conjunto, esses elementos ajudam a reconstituir como era organizada a ocupação humana da região há cerca de 17 séculos.
Soterramento contribuiu para conservar a obra
Segundo os pesquisadores, o estado de conservação do mosaico está diretamente relacionado ao fato de ele ter permanecido enterrado durante séculos. A camada de sedimentos protegeu as tesselas, pequenas peças que formam a composição artística, contra a ação do clima e de intervenções humanas.
Os arqueólogos também investigam a possibilidade de que uma estrutura de madeira, posteriormente carbonizada, tenha ajudado a manter o piso protegido antes do soterramento completo.
Mosaicos eram amplamente utilizados em residências, edifícios públicos e espaços de convivência durante o Império Romano. Além da função decorativa, a técnica simbolizava prestígio e poder econômico, o que reforça o valor histórico de descobertas como essa para a compreensão do cotidiano e da organização social das populações da Antiguidade.
