Em muitas famílias, o trabalho passa de geração para geração, mas nem sempre esse processo começa cedo ou de forma tão natural. Em alguns casos, o contato com a profissão surge ainda na infância, sem grandes planos, apenas como curiosidade ou ajuda do dia a dia.
Com o tempo, o que parecia apenas uma atividade simples pode ganhar outro significado. Aos poucos, o aprendizado vira prática, e a rotina acaba se transformando em uma escolha de vida, mesmo em áreas que ainda carregam estereótipos antigos.
De ajuda simples a profissão: como começou a trajetória na mecânica
Aos 17 anos, Candela Narvaja já atua como mecânica e faz parte da oficina do pai, Mariano. Mas essa história começou bem antes, quando ela tinha apenas 12 anos.
Naquele período, a família passou por mudanças e o pai decidiu levar a oficina para dentro de casa. Foi nesse ambiente que ela começou a se aproximar do trabalho, inicialmente com tarefas básicas, como organizar ferramentas, limpar o espaço e observar o funcionamento dos serviços.
O interesse cresceu aos poucos. O que antes era apenas curiosidade virou aprendizado. Com o tempo, ela passou a entender como identificar problemas em veículos e ajudar em reparos.
Um momento que marcou esse processo foi quando participou da montagem de um motor que estava totalmente desmontado. Ver as peças separadas e depois funcionando novamente despertou ainda mais interesse pela área.
Rotina dividida entre escola, cursos e oficina
Mesmo ainda cursando o ensino médio, Candela mantém uma rotina organizada para dar conta de todas as atividades. Ela ajustou o horário da escola para o turno da manhã, o que permite passar as tardes na oficina.
Além do trabalho prático, ela também busca formação. Faz cursos voltados para mecânica, incluindo áreas como motores a diesel e sistemas de injeção, o que amplia o conhecimento técnico.
No dia a dia, já executa tarefas importantes, desde serviços mais simples até diagnósticos que exigem mais atenção. Alguns problemas são resolvidos rapidamente, enquanto outros demandam horas de trabalho.
Esse processo constante de aprendizado faz parte do objetivo maior que ela traçou para o futuro.
Desafios e preconceitos em um ambiente ainda masculino
A mecânica ainda é vista, por muitas pessoas, como um espaço predominantemente masculino. Por isso, a presença de uma jovem mulher nesse meio chama atenção e, em alguns casos, gera críticas.
Segundo relatos, tanto o pai quanto a própria Candela já ouviram comentários questionando essa escolha. Mesmo assim, o apoio da família foi decisivo para que ela seguisse no caminho que escolheu.
Ela também percebe uma mudança gradual na sociedade, com mais mulheres entrando em áreas como mecânica, soldagem e eletrônica. Ainda assim, acredita que falta mais visibilidade para essas histórias.
Para ela, o incentivo é essencial para quem quer seguir uma profissão, independentemente de padrões antigos.
Planos para o futuro e continuidade do negócio da família
O envolvimento com a oficina não é visto como algo passageiro. Candela já pensa em crescer dentro da profissão e ampliar o negócio iniciado pelo pai.
A ideia é dar continuidade ao trabalho da família, investindo em expansão e estrutura. Mesmo com planos maiores, ela não pretende se afastar das origens.
A relação entre pai e filha vai além do ambiente profissional. Eles compartilham o aprendizado, fazem cursos juntos e acompanham novidades da área, fortalecendo ainda mais essa parceria.
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