Egito planeja hotéis de luxo perto das pirâmides e projeto reacende debate sobre turismo e preservação

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O governo egípcio quer chegar a 30 milhões de turistas por ano até o fim desta década e está apostando numa expansão hoteleira e aeroportuária nas imediações das pirâmides de Gizé para alcançar esse número. O plano inclui a abertura de até 25 mil novos leitos na zona histórica e obras de ampliação do Aeroporto Internacional de Esfinge, terminal próximo aos monumentos.

O setor já vinha em crescimento. O ministro das Antiguidades, Sherif Fathy, informou que a chegada de estrangeiros ao país subiu 4% nos primeiros cinco meses de 2026, mesmo com os conflitos em curso no Oriente Médio. As projeções oficiais apontam para um crescimento entre 5% e 7% ao fim do ano, após o recorde de 19 milhões de visitantes registrado em 2025.

Aeroporto será ampliado para receber rotas da Ásia e das Américas

O pacote de investimentos vai além da hotelaria. O governo prevê aportes privados para centros culturais, parques de entretenimento e espaços de lazer na região de Gizé, compondo uma infraestrutura de recepção compatível com a meta estipulada.

Na aviação, a estratégia passou pela redução das taxas cobradas de companhias aéreas nos aeroportos egípcios, medida pensada para compensar o encarecimento global do combustível de aviação, que vinha retraindo os voos internacionais para o norte da África.

A ampliação do Aeroporto de Esfinge mira especificamente a abertura de rotas diretas a partir de mercados asiáticos e americanos.

O turismo já responde por 12% do Produto Interno Bruto do Egito, e a administração quer manter esse peso enquanto expande o volume de visitantes.

Arqueólogos alertam para risco de degradação dos monumentos

A aproximação de obras e empreendimentos comerciais dos sítios arqueológicos divide especialistas. Pesquisadores alertam para o sobreturismo, fenômeno em que o tráfego excessivo de pessoas provoca degradação física nos monumentos, com atenção especial à Pirâmide de Quéops, único remanescente da lista original das Sete Maravilhas do Mundo Antigo.

O debate não é novo.

Em 2024, egiptólogos criticaram publicamente as técnicas de restauração aplicadas na Pirâmide de Miquerinos, apontando risco de descaracterização estrutural do monumento. As contestações deram força ao questionamento sobre como o país deve equilibrar a geração de divisas com a preservação de um patrimônio que não pertence apenas ao Egito.

O governo não anunciou medidas específicas de proteção arqueológica vinculadas ao plano de expansão. A tensão entre desenvolvimento econômico acelerado e salvaguarda dos sítios históricos permanece sem resposta clara nas projeções oficiais.

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