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Política

Denúncias de intolerância religiosa passam de 1,2 mil no primeiro semestre

O Disque 100 registrou 1.252 denúncias relacionadas à liberdade de crença ou à intolerância religiosa entre janeiro e junho de 2026. No período, também foram relatados ataques a símbolos e estabelecimentos religiosos.

Denúncias de intolerância religiosa passam de 1,2 mil no primeiro semestre

Mais de 1,2 mil denúncias relacionadas à liberdade de crença ou à intolerância religiosa foram registradas no Brasil entre janeiro e junho de 2026. No mesmo período, ataques a imagens e estabelecimentos religiosos foram relatados em diferentes cidades, incluindo Fortaleza e Salvador. Os casos estão sob investigação, e os dados do Disque 100 apontam aumento nas notificações envolvendo religiões de matriz africana e catolicismo.

Na madrugada de 9 de setembro, quatro estabelecimentos religiosos tiveram as fachadas incendiadas em Fortaleza: três ligados ao catolicismo e um à umbanda. Em uma loja de artigos católicos no centro da capital, um cartaz deixado no local dizia: “Se reabrir, todos morrem”. A Polícia Civil investiga os atentados.

No dia seguinte, o padre Josileudo Queiroz, da Igreja de São José Operário de Caucaia, classificou o episódio como crime de intolerância religiosa. Ele afirmou que o Brasil é um país laico, com diferentes religiões e expressões de fé.

Também foram registrados danos a imagens religiosas em outras cidades. Em Londrina (PR), um dia antes dos ataques de Fortaleza, a cabeça de uma imagem de Nossa Senhora Aparecida foi arrancada. Dois dias depois, em Salvador, uma imagem de Nossa Senhora das Graças foi quebrada. No dia 22, na mesma cidade, foi destruída uma imagem de Santa Dulce dos Pobres.

Dados de denúncias

Segundo o Disque 100, foram contabilizadas 1.252 denúncias com ao menos uma violação relacionada à liberdade de crença ou à intolerância religiosa no primeiro semestre de 2026. Praticantes do candomblé e da umbanda são apontados como vítimas frequentes, embora representem cerca de 1% da população brasileira, conforme o texto.

Entre janeiro e junho, houve 270 denúncias envolvendo essas religiões, ante 192 no mesmo período de 2025, alta superior a 40%. Entre católicos, os registros passaram de 15 para 34, crescimento superior a 100%.

Na quarta-feira (30), o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, determinou que a Polícia Federal investigue uma aparente disseminação de ataques a imagens católicas pelo país. A reportagem informa que os casos citados ocorreram antes da discussão eleitoral sobre o título de padroeira do Brasil atribuído a Nossa Senhora Aparecida.

Na campanha eleitoral, publicações virais atribuíram ao candidato à Presidência Flávio Bolsonaro a intenção de retirar o título da santa. Ele recorreu à Justiça Eleitoral e ao STF para tentar remover as mensagens. O TSE formou maioria para mantê-las fora do ar.

O defensor público do Ceará Igor Barreto afirmou que crimes de intolerância religiosa são insuscetíveis de fiança e indulto e imprescritíveis. A pena prevista no Brasil para prática, indução ou incitação varia de um a cinco anos de reclusão e multa.