A defesa de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, acionou a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), ligada à Organização dos Estados Americanos (OEA), para denunciar o Brasil e pedir ajuda internacional para obter a liberação do banqueiro. O pedido foi protocolado no último dia 27; Vorcaro está preso desde 4 de março.
Na petição, os advogados alegam que ele permanece em prisão preventiva sem ter sido formalmente denunciado. Também apontam supostas violações de direitos humanos e demora na análise, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), de um pedido de liberdade apresentado em 18 de setembro, que, segundo a defesa, ainda não foi decidido.
Os representantes afirmam que o indiciamento mencionado em relatório parcial da Polícia Federal (PF) não equivale a uma acusação formal. Alegam ainda que a revisão da prisão a cada 90 dias, prevista como obrigatória pela legislação brasileira, não foi realizada.
A defesa também questiona supostos vazamentos de conversas privadas extraídas do celular de Vorcaro, inclusive comunicações protegidas pelo sigilo entre advogado e cliente. Os advogados dizem que não tiveram acesso aos dados originais da extração e contestam a integridade das provas digitais.
Investigação sobre o Banco Master
No último dia 28, a PF enviou à Procuradoria-Geral da República (PGR) relatório sobre a investigação da tentativa de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). A corporação indiciou 15 pessoas, entre elas Vorcaro, sócios e diretores do Master e ex-dirigentes do BRB.
Vinculado ao Governo do Distrito Federal, o BRB tentou comprar o Master entre 2024 e 2025, mas a transação foi barrada pelo Banco Central. No relatório, a PF também pediu mais 60 dias para concluir perícias e elaborar um documento complementar. O pedido será analisado pelo ministro André Mendonça, relator do caso no STF.

