O debate entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, exibido pela TV Globo na sexta-feira (23), teve confrontos sobre economia, segurança pública e pessoas investigadas pela Justiça. Os candidatos começaram falando de propostas de governo, mas passaram a trocar ataques pessoais.
Um dos embates envolveu o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master. Flávio questionou Lula sobre uma suposta garrafa de uísque avaliada em R$ 500 mil que teria sido presenteada por Vorcaro. Lula respondeu que a bebida “deve ter ido para a sua casa”. O presidente também citou investigação da Polícia Federal sobre um financiamento de R$ 134 milhões negociado junto ao ex-banqueiro para produzir o filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro. Flávio negou relações impróprias com Vorcaro e afirmou que a Justiça apura responsabilidades.
A disputa também abordou uma área da União na Ilha Comprida, em Angra dos Reis (RJ), e a transferência de posse que envolve o jogador Richarlison e o advogado Willer Tomaz. Lula questionou o caso e apontou disparidade de prazos na Secretaria do Patrimônio da União.
Flávio afirmou que a ilha nunca pertenceu a Richarlison e que a controvérsia já foi deliberada pela Justiça. O atleta alegou ter investido cerca de R$ 10 milhões no local e aguardado quase um ano por manifestações oficiais; o caso é acompanhado pelo Ministério Público Federal.
Na economia, Lula citou pobreza de 32,3% na Argentina e cobrou garantias sobre a valorização real do salário mínimo. Flávio defendeu as reformas do presidente argentino Javier Milei, prometeu reajuste do piso acima da inflação e apoiou tarifa zero no transporte público aos fins de semana. Também atribuiu ao governo federal o endividamento das famílias e disse que brasileiros passaram a parcelar até pizza.
No encerramento, Lula disse que a escolha seria entre a democracia e “um miliciano governando este país”. Flávio recebeu um minuto de direito de resposta, negou as acusações e prometeu combater milícias e retomar áreas controladas por criminosos.

