# Crise no Tribunal Constitucional da Polônia leva presidente a interromper viagem

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- Published: 2026-10-31T23:35:38-03:00
- Author: Felip trends

Uma disputa pelo comando do Tribunal Constitucional da Polônia provocou uma crise
institucional e levou o presidente Karol Nawrocki a interromper uma viagem oficial
ao Senegal. A magistrada Anna Korwin-Piotrowska anunciou a suspensão do chefe da
Corte, Bogdan Święczkowski, e participou da movimentação para assumir a presidência
do tribunal.

Korwin-Piotrowska foi eleita para integrar a Corte em março de 2026, mas está entre
os cinco magistrados escolhidos pelo Parlamento cujo juramento não foi aceito pelo
presidente. Ela alegou ter o maior tempo de experiência na magistratura. A direção
afastada contesta a validade de sua atuação, enquanto o governo defende a legitimidade
dos novos integrantes.

Nawrocki ordenou que o avião presidencial retornasse à Polônia e compareceu à sede
do Tribunal durante a madrugada de sábado (31). Houve tensão com magistrados e agentes
de segurança, e imagens divulgadas pela imprensa internacional mostram resistência
à entrada do presidente no edifício.

Em pronunciamento, Nawrocki classificou o episódio como violação da ordem constitucional
e tomada forçada de uma instituição estatal. Ele disse não reconhecer a legalidade
da mudança de comando, exigiu a retirada das forças de segurança mobilizadas no 
Tribunal e anunciou consultas emergenciais com representantes dos partidos.

O governo do primeiro-ministro [Donald Tusk](https://nordeste7.com.br/policia-cerca-tribunal-constitucional-da-polonia-apos-afastamento-de-dirigentes/)
apoia a substituição da direção e afirma que as medidas integram um processo de 
recuperação da independência judicial, após controvérsias sobre nomeações feitas
durante governos do partido conservador Direito e Justiça (PiS). A oposição conservadora
classifica a movimentação como tentativa de tomada do Judiciário; lideranças do 
PiS chegaram a chamá-la de golpe de Estado, sem que isso represente uma conclusão
judicial definitiva.

Integrantes do governo defendem a legalidade das decisões, enquanto o presidente
afirma que houve ruptura constitucional. A disputa reacende o debate sobre a atuação
de magistrados e a influência política nas cortes.
