# Crise do Ueno Bank provoca protestos e pedido de impeachment no Paraguai

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- Published: 2026-11-05T01:51:15-03:00
- Author: Felip trends

A Polícia Nacional do Paraguai voltou a confrontar manifestantes na noite desta 
quarta-feira (4 de novembro), no centro histórico de Assunção. Agentes usaram gás
pimenta, bombas de gás lacrimogêneo, jatos de água e balas de borracha nas imediações
das ruas 15 de Agosto e Benjamín Constant, perto do Congresso Nacional. Vídeos feitos
por moradores mostram a dispersão dos grupos sob disparos à distância.

Uma mulher em cadeira de rodas denunciou ter sido atingida por gás pimenta no rosto.
Segundo a polícia, a intervenção ocorreu após uma tentativa de romper o cerco de
segurança antidistúrbios. Não há balanço oficial de feridos ou detidos.

No segundo dia consecutivo de mobilização, poupadores e cidadãos autoconvocados 
exigiram a devolução das economias e a responsabilização dos gestores do [Ueno Bank](https://nordeste7.com.br/jogadores-do-paraguai-cobram-acao-contra-responsaveis-por-crise-bancaria/),
além do impeachment do presidente Santiago Peña e do vice-presidente Pedro Alliana.

O Banco Central do Paraguai determinou a resolução da instituição após constatar
que seu índice de solvência caiu para menos de 50% do mínimo exigido por lei. O 
banco tinha cerca de 3 milhões de clientes — 60% da população adulta do país — e
administrava recursos públicos, inclusive verbas do Instituto de Previdência Social.

Membros da diretoria foram detidos no contexto das apurações, entre eles o CEO, 
ligado ao Grupo Vázquez. O presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, ex-executivo
da financeira que deu origem ao Ueno Bank, renunciou a pedido do Poder Executivo.
Peña foi acionista da Ueno Holding até 2025 e indicou Carvallo para chefiar o Banco
Central, fatos que geraram acusações de conflito de interesses.

O governo ativou o Fundo de Garantia de Depósitos e prometeu iniciar nos próximos
dias pagamentos antecipados aos correntistas afetados. Na Câmara, 35 deputados da
oposição e dissidentes do Partido Colorado formalizaram pedido de impeachment da
chapa por crime de responsabilidade, conflito de interesses e má gestão de fundos
públicos. O processo exige 53 votos favoráveis na Câmara; a destituição depende 
da aprovação de 30 dos 45 senadores.
