Pular para o conteúdo
Mundo

Coreia do Norte afirma ter testado míssil com inteligência artificial

Pyongyang afirmou ter testado um míssil de alcance intermediário com IA, mas não apresentou provas sobre o uso da tecnologia nem sobre as capacidades anunciadas.

Coreia do Norte afirma ter testado míssil com inteligência artificial

Pyongyang anunciou neste sábado, 3, a realização de um teste com um míssil estratégico de alcance intermediário que, segundo o regime, usa inteligência artificial (IA) e pode fazer manobras em baixa altitude. Kim Yo-jong, irmã do líder Kim Jong-un, divulgou a informação horas depois de as Forças Armadas sul-coreanas detectarem um disparo balístico norte-coreano em direção ao mar. O governo não explicou de que forma a IA teria sido aplicada.

Kim Yo-jong afirmou que o irmão acompanhou o teste e sustentou que a capacidade de mudar o trajeto tornaria impossível evitar um ataque. Também declarou que Coreia do Sul e Japão não conseguiriam monitorar todo o percurso do míssil. Não foram apresentados elementos que permitam confirmar a eficácia alegada nem o emprego de inteligência artificial nas manobras.

De acordo com os militares sul-coreanos, o lançamento partiu de Wonsan, na costa leste da Coreia do Norte. O projétil percorreu mais de 700 quilômetros e caiu no mar. O Ministério da Defesa do Japão informou que o ponto de queda ficou fora da zona econômica exclusiva japonesa. A operação ocorreu na manhã de sábado no horário local, correspondente à noite de sexta-feira, 2, no Brasil.

Em declaração à agência AFP, Hong Sung-pyo, pesquisador do Instituto Coreano de Assuntos Militares, disse que a IA pode contribuir para analisar dados sobre alvos e para as operações de lançamento. Ele considerou, porém, cedo para tratar como demonstradas as capacidades reivindicadas por Pyongyang. Mísseis capazes de manobrar na fase final do voo podem ser mais difíceis de interceptar, mas isso não assegura precisão absoluta no ataque.

Depois do disparo, a Coreia do Sul ampliou a vigilância por considerar a possibilidade de novos testes e informou que compartilhava dados com Estados Unidos e Japão. Seul pediu que Pyongyang suspendesse os lançamentos, que classificou como violação das sanções impostas pelo Conselho de Segurança da ONU.

O episódio aconteceu após uma explosão de minas na Zona Desmilitarizada, que separa as duas Coreias, ferir três soldados sul-coreanos em 21 de setembro. Segundo as agências AP e AFP, a Coreia do Sul e o Comando das Nações Unidas responsabilizaram minas instaladas pelo Norte; Pyongyang negou envolvimento.

Na quinta-feira, 1º, o presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, defendeu a retomada do diálogo. Kim Yo-jong rejeitou a proposta no dia seguinte, assim como o pedido de desculpas relacionado ao incidente das minas. O teste do míssil ocorreu na manhã posterior.